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Cancro da pele aumenta dez vezes nos últimos 40 anos

Cancro da pele aumenta dez vezes nos últimos 40 anos

A incidência do cancro da pele em Portugal "aumentou drasticamente nos últimos 40 anos", sendo dez vezes mais frequente hoje do que no início dos anos 60, afirmou hoje o director do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

Agência LUSA /

João Belo Amaro falava a propósito do Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Pele, que se assinala a 30 de Maio, e será assinalado nessa data com uma acção nacional de rastreios ao tumor (melanoma) que decorrerão em 34 hospitais.

Os exames gratuitos serão realizados por dermatologistas para o "despiste de eventuais lesões suspeitas e factores de risco que potenciam o aparecimento de sintomas".

João Belo Amaro, que coordena a acção de rastreios, alerta para o facto da incidência do cancro da pele ter mais que duplicado em Portugal, nos últimos 15 anos, mantendo a tendência para aumentar.

O cancro da pele é o tumor maligno mais frequente nas pessoas de pele clara. O seu tratamento nas fases iniciais é "simples e acompanha-se de elevadas taxas de cura, superiores a 90 por cento".

No entanto, acrescentou, "nos estados avançados o tratamento é complexo, dispendioso e a probabilidade de cura mais reduzida".

"A evolução da doença e as sequelas do tratamento podem causar grande sofrimento que, nos casos mais graves, culmina na morte do doente", afirmou, defendendo, por isso, que "vale a pena apostar na prevenção".

Este dermatologista considera que a importância do melanoma, em termos de saúde pública, "não deve ser menosprezada, pois muitas vezes o carácter agressivo da doença e as sequelas dos tratamentos acompanham-se de elevada morbilidade com impacto negativo na qualidade de vida dos doentes e familiares".

Em Portugal, "continua a verificar-se um aumento acentuado da taxa de mortalidade por melanoma, sobretudo das mulheres", disse o especialista.

"Na última década a mortalidade aumentou a um ritmo anual de três por cento nos homens e de cinco por cento nas mulheres, tratando-se da mais elevada taxa de aumento anual da mortalidade específica por tumores malignos nas mulheres".

As estimativas da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo apontam para uma incidência superior a 8 por 100 mil habitantes, números mais elevados do que os oficiais de 4,5 a 5 por 100 mil habitantes.

"Esta discrepância explica-se pela falta de notificação, visto que muitos casos de melanoma são operados em consultórios e clínicas particulares, escapando assim ao Registo Oncológico oficial", explicou João Belo Amaro.


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