Carlos Brito. Renovação Comunista fala de revolucionário com percurso exemplar na luta pela democracia

Carlos Brito. Renovação Comunista fala de revolucionário com percurso exemplar na luta pela democracia

A Renovação Comunista considera que Carlos Brito, antigo dirigente e líder parlamentar do PCP, foi um revolucionário que resistiu com heroicidade à tortura nas prisões do Estado Novo, com percurso exemplar na luta pela democracia e socialismo.

Lusa /

Carlos Brito, natural de Moçambique, escritor, candidato nas eleições presidenciais de 1980, militante do PCP durante 48 anos e mais tarde fundador da associação política Renovação Comunista, morreu na quinta-feira aos 93 anos.

Em comunicado, a Renovação Comunista manifesta "enorme pesar" pelo "desaparecimento de um comunista e de um revolucionário com percurso exemplar na luta pela democracia e pelo socialismo no país".

"Foi abnegado na luta nas duras condições da clandestinidade, onde assumiu uma posição cimeira na direção do PCP no interior do país", recorda-se.

A Renovação Comunista realça depois "a heroicidade" com que o antigo líder parlamentar do PCP "defrontou a tortura da polícia política e os longos anos de prisão a que foi sujeito".

"A sua indomável fibra revolucionária é exemplificada pela audaciosa fuga da prisão do Aljube, onde muito poucos o conseguiram igualar em tal façanha e alcançando nessa noite uma estrondosa vitória contra o fascismo", refere-se.

No final do regime do Estado Novo, a Renovação Comunista diz que Carlos Brito "foi certeiro na interpretação do alinhamento das forças em presença, incluindo na madrugada do 25 de Abril, e foi capaz de fazer vingar a linha de convocar para a mobilização popular que impulsionou a revolução por via da aliança povo-MFA e que tornou a ação militar numa verdadeira revolução rumo à democracia".

Já após o 25 de Abril, a Renovação Comunista aponta que Carlos Brito assumiu funções no processo de institucionalização da democracia, uma tarefa que nem sempre os revolucionários conseguiram cumprir com sucesso na história das revoluções e que levou à elaboração da Constituição e à sua aprovação".

"Esse seu papel como deputado constituinte e como presidente do Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia Constituinte contribuiu de forma indelével para o Portugal democrático em que vivemos. Embora não se tivesse conseguido evitar o surgimento de grandes fraturas no campo democrático e popular, entre o PS e o PCP e, no campo militar, entre a esquerda militar e o grupo dos nove, que acabaram por fazer retroceder o ímpeto revolucionário, Carlos Brito mostrou sempre uma grande preocupação em contribuir para gerar condições ulteriores de reaproximação e de recomposição da unidade para permitir novos avanços", sustenta-se neste comunicado.

Após o colapso da União Soviética, segundo a Renovação Comunista, Carlos Brito "foi parte ativa no debate no seio do PCP para a necessária renovação da sua orientação" e esteve envolvido diretamente na formação da coligação por Lisboa, para a autarquia da capital, liderada pelo socialista Jorge Sampaio.

Dentro do PCP, Carlos Brito foi um dos principais promotores do "Novo Impulso", documento estratégico de 1998, juntamente com Edgar Correia, João Amaral e Carlos Luís Figueira, "com vista à renovação interna, reorganização e democratização do partido."

"Aquilo que foi uma iniciativa inovadora e orientada para novos avanços originou, porém, uma luta fracionista no seio do PCP que culminou no sancionamento ilegítimo de Carlos Brito e de outros camaradas e que levou ao abandono de centenas de membros do partido e consequente enfraquecimento do campo comunista e do PCP em concreto", salienta a Renovação Comunista.

Em relação aos últimos anos da vida política nacional, a Renovação Comunista considera que a ação de Carlos Brito "ajudou à criação de condições subjetivas na consciência social que facilitaram depois o acordo de incidência parlamentar [de 2015] que deu base à formação do primeiro Governo de convergência das esquerdas em Portugal", liderado pelo socialista António Costa.

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