Carmona diz que Bairro da Liberdade é "prioridade absoluta"
O candidato do PSD à presidência da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, considerou hoje uma "prioridade absoluta" acabar com o degradado Bairro da Liberdade, em Campolide, e defendeu que a reabilitação é impossível.
"Acabar de vez com o Bairro da Liberdade é uma prioridade absoluta", disse hoje o candidato independente apoiado pelo PSD, durante um almoço com jornalistas, em que participou também a cabeça- de-lista à Assembleia Municipal de Lisboa (AML), a social-democrata Paula Teixeira da Cruz.
Carmona Rodrigues considera "inaceitável" que ainda exista um bairro com tão más condições de vida e salubridade em Lisboa e diz que ficaria "descansado se resolvesse bem o problema" daquele bairro, cujo estado de degradação impede a reabilitação.
Construído de forma provisória no final da década de 1950, o bairro acolheu centenas de trabalhadores que se deslocaram para Lisboa para participar nas grandes obras públicas, como a Ponte 25 de Abril.
Paula Teixeira da Cruz afirma que uma visita àquele bairro "é uma descida aos infernos", dadas as más condições em que vivem os habitantes.
Carmona Rodrigues, ainda vice-presidente da autarquia lisboeta, lembrou que o actual executivo realizou a consolidação da encosta, que ameaçava ruir, uma obra "caríssima, mas que tinha de ser feita".
Para o candidato social-democrata, "há que melhorar as condições" nos bairros lisboetas, nomeadamente os que serviram para realojar: "as pessoas têm de ter qualidade nas habitações, não podem ter infiltrações ao fim de dois anos", disse.
Também a Zona J de Chelas e o bairro Padre Cruz vão merecer a atenção do candidato, que já garantiu que, se não ganhar as eleições, ficará como vereador.
"É preciso acabar com os túneis no Bairro do Condado, porque dão origem a marginalidade e submundo", sustentou Carmona Rodrigues.
Outras propostas do candidato passam pela construção da circular das colinas, entre a Avenida 24 de Julho e a Infante Dom Henriques, projecto há muito previsto, e da via da meia encosta, ligando a Avenida das Descobertas, no Restelo, à Avenida de Ceuta, outra medida prevista há mais de 40 anos.
Ambas as infra-estruturas já estão contempladas na revisão do Plano Director Municipal (PDM), actualmente a decorrer.
Durante o almoço, Carmona Rodrigues anunciou que a aplicação do plano de cargas e descargas em Lisboa está prestes a começar, utilizando o sistema de Via Verde para controlar a permanência dos veículos.
O autarca voltou a contestar a construção de um novo aeroporto na Ota, "que nem sequer fica dentro da Área Metropolitana de Lisboa".
"Lisboa, a capital do país, precisa de ter um aeroporto internacional", sustentou, defendendo a realização de estudos para apurar o impacto na economia da cidade da saída do aeroporto da Portela, que diz ter capacidade para "mais seis ou oito milhões de passageiros".
Carmona Rodrigues considera que a medida já anunciada pelo Governo vai "pôr Lisboa mais excêntrica e mais periférica" em relação à Europa.