Carrilho diz-se caluniado e exige que Carmona se retracte

Carrilho diz-se caluniado e exige que Carmona se retracte

O candidato do PS à Câmara de Lisboa, Manuel Maria Carrilho, considerou-se hoje caluniado pelo candidato do PSD, durante o debate da SIC-Notícias, quinta-feira à noite, e exigiu a Carmona Rodrigues um pedido de desculpa.

Agência LUSA /

Em conferência de imprensa, a candidatura dos socialistas passou em vídeo a parte do debate em que Carmona Rodrigues acusou Manuel Maria Carrilho de "despesismo" enquanto ministro da Cultura (entre 1995 e 2000) e insistiu em saber quanto custaram as obras numa casa de banho daquele Ministério.

Para o encontro com os jornalistas, o candidato do PS apresentou uma fotocópia da resolução da sexta vara cível do Tribunal de Lisboa (datada de Julho de 2002), na qual os réus, que levantaram o caso das obras na casa de banho do Ministério da Cultura, apresentam as suas desculpas a Manuel Maria Carrilho.

"Carmona Rodrigues utilizou contra mim (no debate na SIC- Notícias) uma calúnia, tendo perfeito conhecimento de que estava a dizer uma calúnia, mostrando uma enorme má-fé", acusou o ex-ministro da Cultura de António Guterres.

"Tal como aconteceu com os réus desse caso, exijo também a Carmona Rodrigues um pedido de desculpa", acrescentou, embora não esclarecendo se tenciona avançar com um novo processo judicial caso o candidato apoiado pelo PSD não corresponda ao seu repto.

"Tratou-se de uma calúnia destinada a esconder a debilidade da sua argumentação", observou Carrilho, usando depois este caso do debate para justificar a razão por que se recusou a cumprimentar Carmona Rodrigues no final da discussão televisiva.

"Quem não sente não é filho de boa gente", justificou o candidato do PS, que também procurou dar uma explicação sobre a forma crispada como decorreu a discussão televisiva ao longo de hora e meia.

"Digo o que penso e faço sempre o que digo. Já enfrentei sozinho um congresso do PS (em 2001, contra António Guterres) e não me escondo atrás de ninguém", disse, considerando-se "um universitário habituado ao debate".

Carrilho reconheceu depois "que as condições de esclarecimento sobre as questões específicas de Lisboa não foram as melhores" para si.

"Mas fiz o possível e estou disponível para fazer mais debates nos órgãos de comunicação social que estiverem interessados", referiu.

Na conferência de imprensa, Manuel Maria Carrilho também apresentou fotocópias de documentos da Câmara Municipal de Lisboa e de recortes de jornais para procurar provar as acusações que fizera no debate da SIC Notícias a Carmona Rodrigues.

Num dos pontos mais controversos do debate, Carrilho acusou Carmona de ter duplicado remunerações aos seus adjuntos na autarquia, ataque que o candidato do PSD rejeitou em absoluto.

Hoje, o "número dois" da candidatura socialista, Nuno Ribeiro, distribuiu aos jornalistas as adendas dos contratos de avença celebrados na gestão de Carmona Rodrigues enquanto presidente da Câmara de Lisboa e que duplicaram os valores dos contratos originais, na sua maioria celebrados no período inicial em que Pedro Santana Lopes foi presidente da autarquia.

Os contratos de avença distribuídos aos jornalistas foram celebrados (pela autarquia) com Inês Monteiro da Costa, José Alexandre de Lemos, Maria Madalena Vieira dos Santos, José Paulo da Mota Veiga Castelo Lopes e Gabriela Maria de Cardoso Seara (esta última integra a lista de Carmona Rodrigues para a Câmara Municipal).

A candidatura de Carrilho apresentou ainda recortes de jornais para sustentar as acusações de que o Capitólio de Lisboa estava, segundo a UNESCO, entre "os cem monumentos mais ameaçados do mundo" e que Carmona Rodrigues "protagonizou um mensalão (escândalo em investigação no Brasil) ao prometer lugares em empresas municipais aos dirigentes do Partido da Nova Democracia Manuel Monteiro e Jorge Ferreira".

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