Casais antecipam mais dificuldades no primeiro filho do que no segundo - Estudo

Casais antecipam mais dificuldades no primeiro filho do que no segundo - Estudo

Porto, 09 set (Lusa) -- Um estudo de Psicologia da Universidade do Porto revela ser mais fácil para um casal empregado tomar a opção de ter um segundo filho do que a de começar a descendência.

Lusa /

"Os não pais, as pessoas que ainda não têm filhos, antecipam mais dificuldades em ter um filho do que aqueles pais que já têm um filho", refere a investigação.

Esta é uma das conclusões do estudo "Conciliation strategies and intentions to have a child: Dyadic and gender interdependences ("Estratégias de conciliação e intenções para ter filhos: interdependências diádicas e de género"), cuja amostra é de 414 participantes (58 por cento de mulheres), com idades entre 21-52 (média=34), relações estáveis (duração média de 12 anos) e em que 65 dos inquiridos tinha filhos.

Em entrevista à Lusa, Marisa Matias, responsável pelo estudo académico, refere que os casais com um filho não ficam tão retraídos para ter um segundo descendente, porque já fizeram os ajustes necessários de conciliação entre parentalidade e trabalho, enquanto que os "não pais" têm de alterar a sua vida atual.

Os benefícios e custos em ter um filho são abordados no estudo e as conclusões referem que o mais importante refere-se a benefícios esperados ao nível do enriquecimento emocional e pessoal. Um segundo conjunto de benefícios refere-se à noção de continuidade geracional e biológica e cumprimento de expectativas sociais.

Os inquiridos referem que os custos de um filho incluem principalmente aspetos ligados a interferências na vida atual, nomeadamente interferências na "liberdade, nos planos de carreira, na segurança financeira, na ausência de tempo e disponibilidade emocional".

Um segundo conjunto de custos, menos valorizado pelos participantes, inclui antecipação de dificuldades para a relação conjugal, para o bem-estar físico do próprio ou da possível criança e antecipação de dificuldades na educação e desenvolvimento da criança.

Os casais com filhos, por seu turno, valorizam mais os "benefícios associados à parentalidade e desvalorizam mais os custos do que os não pais", informa a especialista.

"Apesar dos custos associados à parentalidade, ser capaz de ultrapassar esses desafios permite encarar um outro filho com maior otimismo e valorizar mais os benefícios oriundos desta experiência", acrescenta.

O estudo revela ainda que as intenções para ter um outro filho por parte das mulheres é maior se os seus parceiros considerarem que ter um filho lhes traria benefícios de natureza emocional e de desenvolvimento pessoal, principalmente no caso da intenção para ter um segundo filho.

As intenções masculinas, por seu turno, dos já pais, aumentam se eles próprios não anteciparem grandes mudanças no estilo de vida atual.

"Estes dois aspetos mostram que as intenções femininas são mais influenciadas pelos benefícios que os companheiros perspetivam do que as intenções masculinas, que não são afetadas pela perspetiva feminina dos custos e benefícios".

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