CDS aplude propostas da Justiça mas lembra trabalho deixado por Celeste Cardona

CDS aplude propostas da Justiça mas lembra trabalho deixado por Celeste Cardona

O CDS-PP aplaudiu hoje as alterações ao Código Penal aprovadas em Conselho de Ministros, mas lembrou que muito do trabalho agor a apresentado pelo Governo resulta de projectos da antiga ministra da Justiça Ce leste Cardona.

Agência LUSA /

"Muitas das propostas não são novidade, já tinham sido trabalhadas pela antiga ministra da Justiça Celeste Cardona, no XV Governo", disse o deputado do CDS-PP Nuno Magalhães, em declarações à Lusa.

Lembrando que a ministra da Justiça do Governo de maioria PSD/CDS-PP de Durão Barroso "foi a executora do programa de pulseiras electrónicas" e que do seu projecto constava também a proposta de tornar público o crime de violência d oméstica, Nuno Magalhães admitiu que esperava "mais" das propostas do Governo.

"Não vamos, como o PS costuma fazer, defender agora uma coisa diferente só porque estamos na oposição, mas é pouco, esperávamos mais", sublinhou, adian tando que, brevemente, o CDS-PP também irá apresentar algumas propostas no âmbit o da reforma do Código Penal.

Tal como o PSD já tinha feito quando reagiu às propostas hoje aprovadas em Conselho de Ministros, o antigo secretário de Estado da Administração Intern a reiterou a disponibilidade do CDS-PP para que seja encontrada "uma solução de consenso" entre o Governo e os partidos em relação à reforma do sector da Justiç a.

"Queremos é que sejam encontradas as melhores soluções", garantiu.

O Conselho de Ministros aprovou hoje alterações ao Código Penal, nomead amente o alargamento das penas alternativas à prisão, permitindo a sua substitui ção em alguns casos por sanções como o trabalho a favor da comunidade e a vigilâ ncia electrónica.

Segundo o ministro da Justiça, Alberto Costa, a proposta de lei aprovad a na generalidade pelo Governo prevê ainda "a tipificação de novos crimes contra a liberdade pessoal e sexual" e consagra o "agravamento de crimes em função da motivação com que são cometidos", como por exemplo "crimes por ódio sexual ou ra cial".

De acordo com a proposta do Governo, o crime de violência doméstica dei xa de depender de queixa da vítima e o crime de responsabilidade por incêndio fl orestal passa a ser autónomo, enquanto os crimes ambientais, o tráfico de pessoa s e as falsificações serão sujeitos a sanções mais graves para "uma resposta mai s eficaz".

Outra das alterações consagradas no âmbito da revisão do Código Penal é "o reforço da tutela de pessoas particularmente indefesas, como as crianças, os menores e as vítimas de violência doméstica, maus-tratos ou discriminação", per mitindo o agravamento das sanções a aplicar nestes casos.

A proposta de lei prevê também a "consagração da responsabilidade penal das pessoas colectivas [empresas, associações, fundações] exceptuando o Estado e as pessoas colectivas públicas", com penalizações que podem ir "desde a multa até à dissolução em casos limite", e consagra a distinção de "níveis de responsa bilidade pela violação de segredos, tendo em conta a qualidade do agente, e o re sultado produzido".


PUB