País
Centenário da Aviação Militar
A primeira escola de aviação militar começou a formar pilotos em 1916, dois anos depois de ter sido criada no papel, e quatro anos depois de as primeiras máquinas voadoras terem sido doadas ao país.
Uma das características dos primeiros tempos da aviação militar portuguesa: a capacidade de modificar os aviões tornando-os melhores. Hoje em dia o país faz o mesmo com os seus F-16.
"Fomos capazes cumprir a nossa missão, evoluindo, trabalhando, aprendendo com quem sabe para fazer melhor. É isso que a Força Aérea ainda hoje faz", lembrou no Jornal 2 o General Mimoso e Carvalho.
No entanto, simultaneamente, no seio militar surgiu um movimento aglutinador organizado e direcionado para a formação de uma entidade que se ocupasse dos assuntos da aviação então emergente. Neste sentido, à semelhança do que sucedeu em diversos outros países, concretamente em França, foi constituído em 1909, o Aeroclube de Portugal, o qual através de diversas iniciativas permitiu que a aviação desportiva fosse divulgada e estimulada com as primeiras demonstrações aéreas em Lisboa e na Amadora.
Assim, em 27 de outubro de 1909 no hipódromo de Belém, em Lisboa, o francês Armand Zipfel efetuou um voo de poucos metros, que embora tenha sido o primeiro em Portugal, pela reduzida duração não foi considerado como tal. Seguiram-se outras iniciativas e em 1910, no mesmo local, um acontecimento relevante ficou para a História da Aeronáutica, os aviadores Amadeo Taddéoli e Julian Mamet apresentaram a grande novidade da época o avião Blériot XI, que no ano anterior se tinha tornando internacionalmente conhecido pela travessia do Canal da Mancha entre França e Inglaterra. Com esta aeronave Julian Mamet realizou em 27 de abril, o primeiro voo registado oficialmente em Portugal.
O primeiro piloto português a obter a licença de voo foi Óscar Blank, residente em Paris, tendo efectuado o seu primeiro voo no aeródromo de Juvisy em 1909. Também Alberto Sanches e Castro, em setembro de 1912, descolou do Mouchão da Póvoa para o primeiro voo em Portugal tripulado por um português.
A forte adesão popular às demonstrações aéreas foi também estimulada pela imprensa como os jornais "O Século", que através de várias subscrições públicas para compra de aeronaves, veio a adquirir um Deperdussin e dois Voisin, e o "Comércio do Porto", tendo este último adquirido um Maurice Farman que voou na cidade do Porto, em setembro de 1912. O Deperdussin e o Maurice Farman vieram posteriormente a ser integrados na Aviação Militar.
Este encadeamento de acontecimentos e a previsível utilização do "aeroplano" como arma aérea teve como resultado a preparação de um projeto de lei para a criação de um "Instituto de Aviação Militar" apresentado na Câmara dos Deputados em 1912, pelo Dr. António José de Almeida. Embora este diploma não tenha sido aprovado, pela sua profundidade e abrangência impulsionou a criação de uma Comissão de Aeronáutica Militar que se veio a ocupar dos estudos subsequentes, definitivamente marcantes na evolução da Aviação em Portugal.
A Comissão, formada por um grupo de precursores estudiosos da problemática da aeronáutica, defenderam que seria fundamental prosseguir um caminho construtivo, mas faseado, assumindo como prioridade a edificação de uma escola com áreas de descolagem e aterragem que obedecessem a critérios e requisitos que permitissem a operação das aeronaves e o respeito pelas condições que pudessem garantir uma atividade aérea tão segura quanto possível para a época.
Igualmente, para além das infraestruturas, preconizavam a formação de pilotos que após a respetiva preparação se constituiriam como instrutores da escola e assim pudessem desenvolver e formar militares para esta nova área de especialização profissional.
Por último, pretendiam que as aeronaves fossem adquiridas para estarem disponíveis o mais tarde possível relativamente à data requerida para início da instrução de pilotagem, e assim, não se perder o retorno dos últimos avanços técnicos que de dia para dia evoluíam sem cessar.
A Aviação Militar seguiu nestas circunstâncias um conceito evolutivo de criação e desenvolvimento que acabou por se refletir num período de cerca de dois anos entre a publicação da legislação e o primeiro voo da Escola de Aeronáutica Militar de Vila Nova da Rainha efetuado por um piloto militar português numa aeronave do Ministério da Guerra.
É por este motivo que as comemorações do centenário da Aviação Militar se vão desenvolver ao longo de dois anos, o biénio 2014 a 16, correspondente ao período do levantamento das infraestruturas, estrutura organizativa, formação dos pilotos no estrangeiro e criação das condições necessárias e suficientes ao funcionamento da escola, ou seja, a realização de cursos de pilotagem.