Centro funerário avança, mas empresa está disponível para ouvir moradores
A empresa que pretende instalar um centro funerário em Alvalade admitiu hoje compreender os "receios" dos moradores e manifestou-se disponível para ouvir sugestões e prestar esclarecimentos, mas afirmou que o espaço abrirá no início do próximo ano.
"Compreendemos a preocupação dos moradores, que se deve ao facto de não conhecerem o projecto, e estamos disponíveis para prestar todos os esclarecimentos e até levar alguns a visitar um centro semelhante em Espanha", disse à Agência Lusa o director comercial da Servilusa, Paulo Carreira.
Mais de 100 moradores manifestaram-se hoje contra a instalação do grande centro funerário, a que chamam "morteshopping", e "vestiram" de luto os edifícios em sinal de protesto.
Os residentes estão indignados com o projecto da Servilusa - que prevê a instalação de um centro funerário com nove salas para velórios - que afirmam chocar a população, na maioria idosa, e as crianças da creche e jardim de infância a 200 metros de distância do futuro centro.
Confrontado com estas críticas, Paulo Carreira lembrou que a capela de São João de Brito, de onde saem bastantes funerais, está muito próxima de estabelecimentos de ensino.
"No centro funerário, os moradores não vão assistir à retirada de corpos como acontece normalmente, porque os carros fúnebres entram dentro do edifício, pelas garagens", explicou.
Paulo Carreira revelou ainda à Lusa que este projecto é pioneiro em Portugal, representando um investimento de 5,5 milhões de euros, e que entrará em funcionamento no primeiro trimestre de 2005.
Segundo o responsável, a empresa contactou o presidente da Junta de Freguesia de São João de Brito nos dias 23 e 28 de Setembro, para mostrar o projecto, levá-lo a visitar, juntamente com alguns residentes, um centro similar em Espanha e prestar esclarecimentos aos moradores, mas o autarca não se mostrou disponível.
"Pedimos uma sala na Junta de Freguesia para uma sessão de esclarecimento, mas foi recusado. Mais tarde, reiterámos o pedido, mas não obtivemos resposta", frisou Paulo Carreira, considerando esta situação "insustentável".
O responsável lamenta também que a Comissão de Moradores nunca tenha pedido esclarecimentos formais à empresa: "apenas recebemos um pedido de informações pelo telefone de um representante dos moradores".
De acordo com Paulo Carreira, o projecto irá colmatar algumas deficiências que existem no país, como a falta de privacidade e de segurança nos velórios e problemas de saúde pública.
"Se os moradores conhecessem o projecto iriam compreender que este vai resolver os seus receios de assistirem a manifestações de pesar e presenciar a entrada e saída de corpos", comentou.
Relativamente aos receios de perigo para a saúde pública, Paulo Carreira esclareceu que as salas de velórios têm uma área reservada e climatizada para o falecido, ao contrário do que se passa actualmente nas capelas.
"Estas salas pretendem dar maior privacidade às pessoas e melhores condições de higiene", sublinhou, adiantando que todos os vidros dos edifícios vão ser protegidos para que não haja contacto visual de quem passa no exterior do edifício.
Paulo Carreira avançou ainda que o edifício terá 30 lugares subterrâneos e mais 50 num parque de estacionamento exterior, junto à Avenida Almirante Gago Coutinho, para evitar maiores problemas de congestionamento no bairro.
Explicou ainda à Lusa que a empresa comprou aquele edifício por reunir todas as condições para o funcionamento do centro: é um prédio autónomo, sem habitação, situado no limite da zona habitacional e perto de grandes vias como a Segunda Circular.
Adiantou que o edifício já está adequado para esta actividade, uma vez que tem licença de utilização de escritórios/serviços.
O prédio vai ser alvo de obras interiores de adaptação, o que não implica licença camarária.
No entanto, salientou Paulo Carreira, a empresa "notificou previamente a Câmara Municipal de Lisboa da realização destas obras".
A Servilusa tem 33 lojas em Portugal, sete centrais operacionais e dois centros funerários, assegurando cerca de 20 por cento do sector funerário em Portugal.
O Centro já está registado na Direcção-Geral do Comércio e da Concorrência.