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Centro Hospitalar diz não ter sido ouvido sobre devolução do Hospital do Fundão

Centro Hospitalar diz não ter sido ouvido sobre devolução do Hospital do Fundão

Fundão, Castelo Branco, 17 dez (Lusa) - O Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB), do qual o Hospital do Fundão faz parte, disse hoje à agência Lusa não ter sido ouvido no processo que prevê a devolução daquela unidade hospitalar à Misericórdia do Fundão.

Lusa /

"Ao CHCB, nomeadamente à sua administração, não foi solicitado nenhum parecer, esclarecimento ou envolvimento, por nenhuma estrutura do Ministério da Saúde, no âmbito desta eventual cedência", lê-se no documento enviado à Lusa e assinado pelo presidente do conselho de administração daquela estrutura, Miguel Castelo Branco.

A nota esclarece que, entretanto, aquele organismo apurou "junto do Ministério da Saúde, que a assinatura celebrada representa um acordo de princípios que será aprofundado, no prazo de dois anos, para definir os termos da eventual transferência de gestão".

Num dos quatro pontos da nota, e nos quais a transferência de gestão nunca é dada como certa nem tão pouco refere se concorda ou não com essa possibilidade, é ainda salientado que o CHCB está "ciente do papel" que desempenha naquela região do interior do país, motivo pelo qual deixa a promessa de que tudo fará para "continuar a desenvolver cuidados de saúde da mais elevada qualidade e segurança, de forma sustentada e equitativa".

"Mantemo-nos fiéis aos compromissos assumidos com a Câmara Municipal do Fundão nos diversos projetos e acordos onde trabalhámos em conjunto", está escrito na nota, que não faz qualquer referência à Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) e não especifica o protocolo tripartido que tinha sido estabelecido entre as entidades.

O protocolo prevê o reforço das valências para aquele hospital, designadamente com a construção da Unidade de Medicina Nuclear, aguardando atualmente aprovação da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC).

Em nota também emitida hoje, o provedor da SCMF afirmou que esta uma "oportunidade para inverter o processo de esvaziamento de serviços" do Hospital do Fundão, garantido que reivindicará a manutenção e reforço das valências no processo negocial que se iniciará em breve.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes (PSD), também mostrou preocupação e estranheza pela forma como o processo foi conduzido e informou que já pediu uma reunião com caráter de urgência ao Ministério da Saúde.

A intenção do Governo de devolver o hospital local à SCMF baseia-se num decreto-lei de outubro de 2013, que estabeleceu a possibilidade de os hospitais das misericórdias que foram integrados no setor público pudessem ser devolvidos às instituições de origem, mediante a celebração de um acordo de cooperação com um prazo de 10 anos.

O processo de devolução arrancou com os hospitais de Fafe, Anadia e Serpa, a 14 de novembro, e contará agora com uma segunda fase que integra os hospitais de São João da Madeira, Santo Tirso e Fundão, que agora iniciarão, caso a caso, um processo negocial para estabelecer as condições em que a devolução ocorrerá.

O decreto-lei que prevê as devoluções aponta que os acordos devam ser precedidos de um estudo que demonstre que os encargos globais do SNS diminuem, em pelo menos, 25%.

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