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"Semanalmente cerca de 40 mil alunos tiveram falta de pelo menos um professor"

"Semanalmente cerca de 40 mil alunos tiveram falta de pelo menos um professor"

Num balanço do segundo período, a Fenprof conclui que "os números não deixam dúvidas: a falta de docentes em Portugal continua a agravar-se".

Carlos Santos Neves - RTP /
Nuno Patrício - RTP

A Federação Nacional dos Professores calcula que, no segundo período, perto de 40 mil alunos ficaram, a cada semana, sem "pelo menos um professor". Num balanço divulgado esta segunda-feira, a estrutura sindical considera que "os números não deixam dúvidas" quanto à falta de docentes no país.

A Fenprof faz assentar a sua estimativa no aumento de pedidos de professores, por parte dos estabelecimentos de ensino, no termo do segundo período, relativamente ao anterior ano letivo."O total de horários em contratação de escola passou de 4.700 para 5.198, um aumento de 10,6 por cento", observa a Fenprof, para sublinhar ainda que o número de horas de aulas "disparou de 87.175 para 96.022".

"Estimou-se que, semanalmente, cerca de 40 mil alunos tiveram a falta de pelo menos um professor, um indicador da gravidade da situação", aponta a Fenprof.

O distrito do Porto, sinaliza também a federação sindical, "subiu ao segundo lugar no ranking nacional da falta de docentes, com 579 horários em aberto, mostrando que a carência já não é um problema localizado, mas uma realidade de alcance nacional".

Os professores do 1.º ciclo de Português e Educação Especial são os mais procurados, tal como os docentes de Francês, Inglês e Matemática.Recorde-se que o Ministério da Educação anunciou a criação de um sistema para apurar, já no corrente ano letivo, o número de alunos sem aulas e as respetivasd disciplinas. O que, até ao momento, ainda não foi apresentado.

Na perspetiva da Fenprof, a falta de professores poderia ser atenuada por via da revisão do Estatuto da Carreira Docente, dossier que "se arrasta" e "deixa já no ar intenções de mudanças profundas e perigosas, incluindo o fim da mobilidade interna, da contratação inicial, das reservas de recrutamento e da contratação de escola".

A Fenprof acusa o Governo de Luís Montenegro de ultrapassar "linhas vermelhas" como a habilitação profissional para a carreira.O Conselho Nacional da Fenprof marcou uma manifestação para 16 de maio. Admitiu também a possilidade de avançar com greves no terceiro período.


"O ministro insiste em qualificar o atual modelo de concursos como moroso, ineficiente, complexo e rígido e em imputar-lhe a dificuldade de colocação de docentes, procurando ignorar que o problema central é não haver professores suficientes para preencher as necessidades do sistema. Curiosamente, foi com o argumento da morosidade que o MECI decidiu aumentar a frequência das reservas de recrutamento e o problema da falta de professores continuou a agravar-se. Não fosse o recurso a horas extraordinárias, a aposentados e a aposentáveis e a situação estaria fora de controle", faz notar.

"Valorizar o Estatuto da Carreira Docente é o caminho e o processo de revisão em curso uma oportunidade. Como o MECI mantém a estratégia de arrastamento do processo, não esclarecimento das propostas e de desconsideração das garantias que os professores querem ver consagradas no ECD, o terceiro período será de intensificação da luta", remata a Federação Nacional dos Professores.

c/ Lusa 
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