Chamas queimaram 92% da área florestal de Arganil

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O concelho de Arganil perdeu 92% da floresta nos incêndios de domingo e da semana anterior, disse hoje à agência Lusa o presidente da Câmara daquela vila do interior do distrito de Coimbra, Ricardo Alves.

Nos dois fogos, de grande dimensão, arderam 25 mil dos 27 mil hectares de área florestada do município de Arganil, explicitou Ricardo Alves, referindo ainda que o território queimado equivale a três quartos da área total do concelho, que é de cerca de 33 mil hectares.

Mas pior ainda foi "a perda de três vidas humanas", nos fogos de domingo e segunda-feira, lamentou.

Perto de meia centena de casas de primeira habitação também foram destruídas pelas chamas, salientou Ricardo Alves, referindo que também foram atingidas "muitas segundas habitações" do concelho, mas cujo levantamento ainda está a ser feito.

As famílias desalojadas já foram, entretanto, acolhidas por familiares e por instituições de solidariedade social, pela Misericórdia da vila e pela Câmara.

"Também se perderam muitas cabeças de gado" e os animais que escaparam ao fogo debatem-se agora com "falta de pastos" e alimentos, acrescentou o autarca, que está a terminar o terceiro mandato consecutivo à frente da Câmara de Arganil e que foi eleito, em 01 de outubro, presidente da Assembleia Municipal.

Há igualmente "várias empresas muito prejudicadas", designadamente pela destruição de equipamentos e maquinaria, destacou ainda Ricardo Alves.

Além da falta de comunicações, só possíveis nalgumas zonas limitadas, o município continua sem energia elétrica e sem abastecimento de água em várias povoações.

"Mas temos de renascer e vamos renascer", acredita Ricardo Alves.

O presidente da Câmara de Arganil espera, entretanto, que o Governo apoie os concelhos atingidos pelos fogos de domingo e de segunda-feira com medidas especiais e idênticas às adotadas para a região afetada pelos fogos de 17 de junho em Pedrógão Grande, para que seja "reposta tanto quanto possível a normalidade", para apoiar as famílias e as empresas das áreas ardidas.

"Agora estamos concentrados em identificar os prejuízos e em criarmos condições para se olhar para o futuro", conclui Ricardo Alves.

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