Em direto
50 anos da Constituição da República. Parlamento assinala data com sessão solene

Chumbada proposta para transformar Palácio do Freixo em pousada

Chumbada proposta para transformar Palácio do Freixo em pousada

A maioria PS/CDU na Câmara do Porto chumbou hoje uma proposta do presidente Rui Rio (PSD) para conversão do palácio barroco do Freixo em pousada histórica, argumentando que se tratava de um "mau negócio" para o município.

Agência LUSA /

De acordo com a proposta de Rui Rio, o palácio e o museu da indústria anexo (antiga Moagem Harmonia) seriam cedidos, por um período até 60 anos, à Enatur e, através desta, ao grupo Pestana para uma unidade hoteleira da marca "Pousadas de Portugal".

O Grupo Pestana comprometia-se a investir 11 milhões de euros na adaptação dos imóveis.

A renda, nos termos do acordo proposto, seria de 5.000 euros mensais, durante cinco anos, e 2.000 euros nos anos seguintes, acrescidos de 1,5 por cento do valor dos lucros, estimados em 6,5 milhões de euros/ano.

O contrato proposto admitia ainda que o Grupo Pestana investisse 2,5 milhões de euros num centro de eventos, a construir junto ao palácio.

"É um mau negócio para a Câmara", argumentou o vereador socialista Rodrigo Oliveira, que defendeu a reserva do palácio para futura sede da Junta Metropolitana do Porto, uma hipótese já equacionada em tempos.

"Se estamos a falar em concessão por 60 anos, há um retorno para o grupo Pestana, face ao investimento, que tornaria perfeitamente possível exigir-lhe uma mensalidade maior", acrescentou o Rui Sá, vereador da CDU.

O autarca comunista contestou também que não se propusesse agravamento da renda caso o Centro de Eventos fique por construir, por eventual dificuldade da autarquia em assegurar os terrenos necessários.

Rui Sá lamentou ainda que "nada acautele" a reinstalação do Museu da Indústria a funcionar na antiga Moagem Harmonia.

No final da sessão, de cariz privado, o presidente da Câmara deslocou-se à sala da imprensa da autarquia para acusar o PS e a CDU de votarem "contra a cidade do Porto e a favor dos seus interesses eleitorais".

"Sabem que não é muito popular votar contra, mas pensam que se a obra aparecer é bom para a cidade e, por consequência, para o actual presidente. Logo, não lhes convém", afirmou o presidente, equiparando esta proposta à rejeição, numa primeira votação em assembleia municipal, da Sociedade de Reabilitação do Porto.

Considerando que "é assim que se vai desvirtuando a democracia", Rui Rio criticou particularmente a postura "leviana" da CDU, "que tem responsabilidades no executivo", disse.

Num executivo com seis eleitos da coligação PSD/CDS- PP e outros tantos do PS, a governabilidade tem sido assegurada pela CDU.

PUB