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Cientistas de Aveiro criam hidrogéis 100% biológicos e abrem novas vias para a medicina regenerativa

Cientistas de Aveiro criam hidrogéis 100% biológicos e abrem novas vias para a medicina regenerativa

Cientistas da Universidade de Aveiro desenvolveram um novo tipo de hidrogel totalmente biológico, produzido a partir de substâncias libertadas por células humanas, com elevado potencial para a regeneração de tecidos e cicatrização de feridas.

Nuno Patrício - RTP /
Imagem IA - RTP

O avanço científico surge no mesmo dia em que as autoridades de saúde alertam para os riscos associados a práticas estéticas realizadas sem condições de segurança.

Hidrogéis criados apenas com material biológico humano

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um novo tipo de hidrogel totalmente biológico, produzido exclusivamente a partir de substâncias libertadas por células humanas, sem recurso a materiais artificiais adicionais. O trabalho abre novas perspetivas para a medicina regenerativa, engenharia de tecidos e terapias avançadas.

Estas substâncias, conhecidas como secretomas celulares, são naturalmente produzidas e libertadas pelas células e desempenham um papel fundamental na regulação de processos como a cicatrização, a regeneração de tecidos e a formação de novos vasos sanguíneos.

O estudo foi desenvolvido por investigadores do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, um dos principais laboratórios de investigação da UA, e utilizou secretomas de células estaminais humanas retiradas do tecido adiposo. Os cientistas demonstraram que é possível transformar diretamente estes secretomas em hidrogéis funcionais, dispensando os tradicionais materiais sintéticos usados como suporte.

Tradicionalmente, para manter os secretomas ativos no local onde são necessários, estas substâncias têm de ser incorporadas em materiais transportadores artificiais, tornando os processos mais complexos e difíceis de controlar. A nova abordagem permite ultrapassar esse obstáculo, recorrendo apenas a material biológico de origem humana.

Os hidrogéis desenvolvidos libertam gradualmente proteínas e outras moléculas bioativas ao longo de vários dias, estimulando a migração celular e acelerando processos associados à regeneração dos tecidos. Em testes laboratoriais, revelaram-se mais eficazes do que suplementos biológicos habitualmente utilizados em cultura celular.

Outra das vantagens identificadas é a possibilidade de ajustar as propriedades físicas dos hidrogéis, tornando-os mais rígidos ou mais flexíveis, consoante a futura aplicação clínica. Os materiais testados permitiram ainda a adesão celular e a formação de estruturas iniciais semelhantes a vasos sanguíneos — um passo essencial para a regeneração de tecidos funcionais.

Avanço científico e alerta para a segurança em saúde

Este avanço científico é apresentado no mesmo dia em que a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) tornou públicos dados preocupantes sobre práticas na área da estética.

Em três anos, a entidade mandou suspender a atividade de 19 estabelecimentos de saúde ligados à estética, na maioria dos casos por identificar profissionais a realizar procedimentos para os quais não estavam legalmente habilitados. Até ao final de 2025, a ERS recebeu 448 denúncias relacionadas com estabelecimentos da área da estética. Só este ano, foram instaurados 13 processos-crime, segundo dados divulgados à agência Lusa.


À ERS juntaram-se o Infarmed, a Direção-Geral da Saúde, a Direção-Geral do Consumidor e a ASAE, no lançamento da campanha “Não é só estética. É saúde.”, que alerta para os riscos associados à aplicação de toxina botulínica (botox) e preenchimentos com ácido hialurónico em espaços que não cumprem as normas legais e de segurança.

As autoridades lembram que estes procedimentos, muitas vezes percecionados como simples e sem riscos, devem ser realizados exclusivamente por profissionais de saúde devidamente habilitados, devido à complexidade técnica envolvida. A aplicação por pessoas sem formação adequada pode provocar efeitos adversos graves, como infeções, necrose dos tecidos, bloqueios vasculares ou deformações permanentes.

A campanha sublinha que o objetivo não é desincentivar os procedimentos estéticos, mas garantir que os consumidores recorrem a locais com todas as garantias de segurança, numa área onde, como lembra a ciência, não se trata apenas de estética, mas de saúde.
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