Comunidade Islâmica Lisboa condena actos contrários ao Islão
A Comunidade Islâmica de Lisboa condenou hoje a publicação de caricaturas de Maomé e as correspondentes reacções violentas como "actos contrários ao Islão", num comunicado divulgado para "esclarecer o público" e "evitar ideias erradas e distorcidas".
"É importante notar que o Islão proíbe, em geral, imagens de figuras humanas e, muito em especial, de qualquer um dos Profetas e Mensageiros de Deus (Ó) Compreende-se, portanto, que os muçulmanos tenham ficado chocados e desagradados com as referidas figurações, mormente pelo seu cariz ofensivo", lê-se no comunicado.
O texto prossegue referindo que os muçulmanos "também ficariam chocados com uma idêntica figuração de Jesus ou de sua mãe, a Virgem Maria, ou ainda de Moisés ou de Abraão", na medida em que "o muçulmano deve acreditar nas escrituras reveladas anteriormente" e em que "o Islão advoga o respeito mútuo entre as religiões".
"Há que enfatizar o facto de o Islão ser contra qualquer tipo de violência ou actos de vandalismo", prossegue o comunicado, que conclui afirmando que, "se os muçulmanos se sentem chocados com as referidas caricaturas, também condenam veementemente as manifestações e acções de violência e vandalismo a que se tem assistido ultimamente".
Para a Comunidade Islâmica, "o tema tem sido desnecessariamente empolado por ambos os lados".
A crise em torno das caricaturas de Maomé, publicadas pela primeira vez em Setembro de 2005 por um pequeno jornal dinamarquês, arrasta-se há várias semanas com protestos violentos em vários países islâmicos e a republicação dos desenhos por jornais europeus em nome da liberdade de expressão.
A Comunidade Islâmica de Lisboa, presidida por Abdul Karim Vakil, tinha já reagido indirectamente à polémica através do imã da Mesquita de Lisboa, o xeque David Munir, que em declarações à Agência Lusa a 01 de Fevereiro considerou tratar-se de "um caso lamentável" e de "uma provocação" ao Islão.