Convergência da esquerda da Madeira contra Alberto João Jardim

Convergência da esquerda da Madeira contra Alberto João Jardim

Os partidos de esquerda congregados na "Comissão Coordenadora do 25 de Abril de 2006" acusaram hoje o presidente do Governo Regional e líder do PSD-M, Alberto João Jardim, de limitar a democracia e as liberdades na Região Autónoma da Madeira.

Agência LUSA /

Os partidos PS-M, PCP-M e BE-M comemoraram hoje o 32/o aniversário do 25 de Abril de 1974 na cidade de Machico pelo facto de a maioria social-democrata na Assembleia Legislativa ter declinado comemorar, em sessão solene, neste hemiciclo, a Revolução dos Cravos que instituiu em Portugal a democracia após 48 anos da ditadura do Estado Novo.

O presidente do PS-M, Jacinto Serrão, considerou que "a liberdade não tem cor partidária" e acusou o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, de não saber "lidar com as regras da democracia".

"Ele quer silenciar o povo, os partidos da oposição, pressionar os Tribunais e limitar as liberdades", disse, ao criticar as posições que Alberto João Jardim tem vindo a tomar contra as petições populares, os empresários ligados aos partidos de esquerda e as actuações do Ministério Público na Região.

"E isto - disse - só acontece porque ainda estamos a viver o 24 de Abril na Região Autónoma da Madeira", porque "o regime bebeu na fonte do Estado Novo", numa alusão aos artigos escritos por Alberto João Jardim no "Voz da Madeira", um órgão de comunicação social propriedade do então deputado à Assembleia Nacional e seu tio, Agostinho Cardoso, defendendo o regime anterior ao 25 de Abril de 1974.

Edgar Silva, da Comissão Coordenadora do PCP-M, realçou que as forças de esquerda convergiram em Machico "em contraposição ao jardinismo".

"Este constitui um evento que, na presente conjuntura, significa um acto de crítica frontal ao regime jardinista e às suas perversões", sublinhou.

O dirigente do BE-M, Paulo Martins, lembrou, por seu lado, que, sem a revolução de 25 de Abril de 1974, a autonomia política regional não existiria, pelo que qualificou de "inadmissível" a sua não comemoração na Assembleia Legislativa.

"Este é um regime que se esquece que sem Abril não era nada, que se esquece do prato onde comeu e que cospe no prato da liberdade", acusou.

Enalteceu a unidade verificada neste dia entre os partidos de esquerda e fez votos "para que, em Machico, seja bem cuidado o cravo que Abril, em 2006, plantou".

Apesar do apelo aos madeirenses e porto-santenses, primeiro da Comissão Coordenadora do 25 de Abril de 2006, e, em seguida, do presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, para hastearem, neste dia, uma bandeira nacional em suas casas, no percurso de quase 20 quilómetros entre a cidade do Funchal e a de Machico eram, no entanto, muitas poucas as que a ostentavam.

No comício-festa em Machico participaram cerca de 400 pessoas.

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