Cordão humano por hospital no Seixal mobilizou pelo menos 5.000 a 6.000 pessoas
Pelo menos 5.000 a 6.000 pessoas participaram hoje num cordão humano de quatro quilómetros à volta da baía do Seixal para reivindicar a construção de um hospital público no concelho, preterida num estudo encomendado pelo Ministério da Saúde.
Os números, que não coincidem com os da organização, foram avançados pela polícia.
De acordo com as comissões de utentes de saúde do concelho e autarquia, que promoveram a iniciativa, o número de participantes ascendeu a mais de 10.000 pessoas.
Em ambos os casos, as estatísticas ultrapassaram as expectativas da organização, que tinha estimado 3.000 a 5.000 participantes.
O cordão formou-se a partir de três locais distintos do Seixal, Arrentela e Amora e uniu-se na Ponta da Fraternidade, envolvendo a baía.
A assinalar o simbolismo da união, foram disparados cinco tiros de morteiro e os presidentes das câmaras de Almada, Seixal e Sesimbra deram as mãos.
Além dos três autarcas comunistas, estiveram na iniciativa outros representantes do PCP, PSD, escuteiros, membros das comissões de utentes de saúde e, em grande parte, idosos que empunhavam um ou outro pequeno cartaz onde se lia: "Basta de remendos, queremos um hospital no concelho do Seixal".
O cordão humano realizou-se dois dias antes de terminar a consulta pública de um estudo recente encomendado pelo Ministério da Saúde, que aponta para a ampliação do Hospital Garcia de Orta, em Almada, em detrimento da construção de uma pequena unidade no Seixal.
Elaborado pela Escola de Gestão do Porto, o estudo sobre prioridades de investimento em novas unidades hospitalares privilegia, por razões de custos não especificados, o alargamento do Garcia de Orta com mais 150 camas, embora admita que a unidade, que abrange os concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, tem difíceis acessos.
Autarcas da CDU, PS, PSD e BE dos três concelhos, utentes de saúde e bombeiros têm defendido, em contrapartida, a construção de um hospital público no Seixal, que sirva este município e o de Sesimbra, como alternativa à sobrelotada unidade de Almada.
Lélio Bernardino, reformado de 75 anos que vive na Torre da Marinha, Seixal, contou à Lusa, mesmo antes de integrar o cordão humano, que aguarda "há cinco anos" por uma consulta de oftalmologia no Garcia de Orta.
Por isso, considera que um hospital no Seixal "é muito necessário porque o de Almada não dá para tanta gente".
Da mesma opinião, Joaquim Paulino, aposentado de 70 anos que reside também na Torre da Marinha, relatou que espera "há três meses para ir fazer umas análises" e que, quando tem consultas às 08:00, tem de "abalar de casa às 06:00" por causa do trânsito nos acessos ao Garcia de Orta.
Dimensionado para um rácio populacional de 150.000 habitantes, o hospital de Almada serve mais do dobro da população estimada.
Depois do cordão humano, os presidentes das autarquias de Almada, Seixal e Sesimbra assinaram uma carta em que pedem ao ministro da Saúde, Correia de Campos, uma reunião para discutir a questão do hospital.
Como reacção ao estudo em consulta pública até segunda-feira, foi criado recentemente o movimento cívico "Juntos pelo Hospital no Concelho do Seixal", que congrega 150 instituições locais, entre colectividades, associações de reformados, deficientes, bombeiros, utentes de saúde e autarquias.