País
Crato recebe sindicatos de professores com greve à vista
O Ministério da Educação abre esta sexta-feira as portas aos sindicatos dos professores numa derradeira ronda de negociações antes da paralisação que abrange o primeiro exame do Ensino Secundário, previsto para a próxima segunda-feira. Uma reunião anunciada por Nuno Crato em entrevista à RTP. Debaixo de pressão acrescida, depois de a Fenprof ter estendido o pré-aviso de greve às avaliações ao período de 24 a 28 de junho, o ministro diz-se disposto a dialogar, afiançando, ao mesmo tempo, que a prova de Português do 12.º ano é para realizar “na data prevista”.
À vontade manifestada pelas estruturas sindicais dos docentes para uma reabertura do processo negocial - sem embargo de um alargamento do período de greve às avaliações - o Ministério da Educação responde já esta sexta-feira com uma reunião. O primeiro objetivo, assumiu ontem à noite Nuno Crato, entrevistado no Telejornal, é acautelar a realização do exame de Português do 12.º ano, na próxima segunda-feira.
“Os alunos vão fazer o exame na data prevista”, reiterou Nuno Crato, acrescentando que o dia da prova de Português do 12.º ano não pode ser alterado porque “o calendário é muito estreito e está preenchido”.
Os sindicatos têm prevista uma manifestação para este sábado, em Lisboa, a que se somará a greve de 17 de junho, primeiro dia dos exames do Ensino Secundário, além da greve em curso às avaliações.
“Houve um sindicato, a Associação Sindical Pró-Ordem, que nos pediu uma negociação suplementar em relação ao processo de negociação que estava a decorrer. Houve uma frente sindical, que é a FNE, que nos pediu essa negociação suplementar. Chegou-nos a notícia de que a Fenprof também iria pedir essa negociação suplementar. Muito bem, nós estamos dispostos a isso. Mas para já, amanhã mesmo, vamos pedir aos sindicatos que se reúnam connosco. Interpretamos este pedido como uma abertura ao diálogo e vamos chamá-los para discutir este problema que se está a passar em relação aos exames”, adiantou.
O governante tratou, no entanto, de cimentar a posição de força assumida nos últimos dias, ao reafirmar que a tutela fará “o que for necessário” para que se realizem as avaliações e os exames: “Nós garantimos que nenhum aluno será prejudicado e teremos de arranjar uma solução para esses alunos, mas estamos a falar de coisas hipotéticas”.
Na base da greve está a aplicação aos professores do modelo de “requalificação” que substituirá o atual regime de mobilidade especial. Uma fórmula que os sindicatos encaram como uma via aberta para despedimentos. Contestam igualmente o alargamento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais.
Na edição de quinta-feira do 360º, o ministro quis uma vez mais sublinhar que se trata de “questões que têm a ver com a Função Pública na sua generalidade, sobre as quais nem sequer o terreno de discussão é o Ministério da Educação”.
“São questões no âmbito da reforma da Administração Pública. Não havia razão nenhuma para os professores não estarem englobados nessa reforma”, frisou Crato, sem deixar de reconhecer estar em causa uma classe com “especificidades no trabalho”, ou de repetir que “não vai ser aumentada” a componente letiva do horário laboral.
“Inúmeras confusões nas escolas”
Pouco antes da entrevista de Nuno Crato, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE) confirmavam a intenção de requererem junto do Ministério a reabertura das negociações.
O pedido de negociação suplementar da FNE foi oficializado na quinta-feira, dia em que os sindicatos estiveram reunidos em Lisboa para prepararem a manifestação de sábado e a greve do início da próxima semana. Da Fenprof, que remeteu para hoje a entrega do seu pedido de negociação, saiu outro anúncio: um novo período de greve às avaliações, de 24 a 28 deste mês, caso a tutela deixe sem resposta as reivindicações da Federação.

Foto: José Sena Goulão, Lusa
O novo pré-aviso de greve por parte de oito sindicatos, indicava ontem o secretário-geral da Fenprof, chegará ao Ministério da Educação na segunda-feira e terá um caráter “cautelar”, podendo mesmo ser cancelado se os professores entenderem pôr termo à luta. “Estas organizações sindicais o que querem é a reabertura das negociações”, enfatizou Mário Nogueira.
Ainda segundo o sindicalista, o Governo criou já “inúmeras confusões nas escolas”, ao chamar 115 mil professores para acompanharem os exames: “Face a esta convocatória, mais se justifica a greve”.
Em declarações citadas na edição desta sexta-feira do Público, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) acena com a anulação dos exames. Isto se houver alunos impedidos de realizarem a prova de Português. Essa é, para Jorge Ascensão, “a única solução que garante a equidade”. Por seu turno, Rui Martins, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), alerta para “alguma ansiedade” entre os alunos, dada a incerteza em torno dos planos do Ministério.
No mesmo jornal, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, assinala que não há “nenhuma indicação” da tutela. E Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas admite que, no dia do exame, haja escolas com alunos submetidos a exame e outros impedidos de o fazer. Pelo que “a equidade está em causa”.
“Os alunos vão fazer o exame na data prevista”, reiterou Nuno Crato, acrescentando que o dia da prova de Português do 12.º ano não pode ser alterado porque “o calendário é muito estreito e está preenchido”.
Os sindicatos têm prevista uma manifestação para este sábado, em Lisboa, a que se somará a greve de 17 de junho, primeiro dia dos exames do Ensino Secundário, além da greve em curso às avaliações.
“Houve um sindicato, a Associação Sindical Pró-Ordem, que nos pediu uma negociação suplementar em relação ao processo de negociação que estava a decorrer. Houve uma frente sindical, que é a FNE, que nos pediu essa negociação suplementar. Chegou-nos a notícia de que a Fenprof também iria pedir essa negociação suplementar. Muito bem, nós estamos dispostos a isso. Mas para já, amanhã mesmo, vamos pedir aos sindicatos que se reúnam connosco. Interpretamos este pedido como uma abertura ao diálogo e vamos chamá-los para discutir este problema que se está a passar em relação aos exames”, adiantou.
O governante tratou, no entanto, de cimentar a posição de força assumida nos últimos dias, ao reafirmar que a tutela fará “o que for necessário” para que se realizem as avaliações e os exames: “Nós garantimos que nenhum aluno será prejudicado e teremos de arranjar uma solução para esses alunos, mas estamos a falar de coisas hipotéticas”.
Na base da greve está a aplicação aos professores do modelo de “requalificação” que substituirá o atual regime de mobilidade especial. Uma fórmula que os sindicatos encaram como uma via aberta para despedimentos. Contestam igualmente o alargamento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais.
Na edição de quinta-feira do 360º, o ministro quis uma vez mais sublinhar que se trata de “questões que têm a ver com a Função Pública na sua generalidade, sobre as quais nem sequer o terreno de discussão é o Ministério da Educação”.
“São questões no âmbito da reforma da Administração Pública. Não havia razão nenhuma para os professores não estarem englobados nessa reforma”, frisou Crato, sem deixar de reconhecer estar em causa uma classe com “especificidades no trabalho”, ou de repetir que “não vai ser aumentada” a componente letiva do horário laboral.
“Inúmeras confusões nas escolas”
Pouco antes da entrevista de Nuno Crato, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE) confirmavam a intenção de requererem junto do Ministério a reabertura das negociações.
O pedido de negociação suplementar da FNE foi oficializado na quinta-feira, dia em que os sindicatos estiveram reunidos em Lisboa para prepararem a manifestação de sábado e a greve do início da próxima semana. Da Fenprof, que remeteu para hoje a entrega do seu pedido de negociação, saiu outro anúncio: um novo período de greve às avaliações, de 24 a 28 deste mês, caso a tutela deixe sem resposta as reivindicações da Federação.
Foto: José Sena Goulão, Lusa
O novo pré-aviso de greve por parte de oito sindicatos, indicava ontem o secretário-geral da Fenprof, chegará ao Ministério da Educação na segunda-feira e terá um caráter “cautelar”, podendo mesmo ser cancelado se os professores entenderem pôr termo à luta. “Estas organizações sindicais o que querem é a reabertura das negociações”, enfatizou Mário Nogueira.
Ainda segundo o sindicalista, o Governo criou já “inúmeras confusões nas escolas”, ao chamar 115 mil professores para acompanharem os exames: “Face a esta convocatória, mais se justifica a greve”.
Em declarações citadas na edição desta sexta-feira do Público, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) acena com a anulação dos exames. Isto se houver alunos impedidos de realizarem a prova de Português. Essa é, para Jorge Ascensão, “a única solução que garante a equidade”. Por seu turno, Rui Martins, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), alerta para “alguma ansiedade” entre os alunos, dada a incerteza em torno dos planos do Ministério.
No mesmo jornal, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, assinala que não há “nenhuma indicação” da tutela. E Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas admite que, no dia do exame, haja escolas com alunos submetidos a exame e outros impedidos de o fazer. Pelo que “a equidade está em causa”.