País
Crise na alimentação. Há cada vez mais pessoas a precisar de ajuda para comer
Os 21 Bancos Alimentares do país têm registado, nos últimos meses, um aumento dos pedidos de apoio. A subida do preço dos combustíveis - que faz crescer, também, o preço dos alimentos - e o peso do custo da habitação, estão a pressionar os orçamentos familiares. Por causa disso, há cada vez mais gente a precisar de ajuda para comer.
No Banco Alimentar Contra a Fome, em Lisboa, há azáfama diária. Daqui saem, todos os dias, 40 toneladas de comida - alimentos que as instituições parceiras distribuem, depois, por quem precisa. Há de quase tudo para fazer uma refeição completa. Hoje há até pastéis de nata.
Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, regista esse acréscimo, motivado pela subida dos preços dos combustíveis e da energia - que fazem crescer, também, os preços dos alimentos. São nuances que atingem as famílias mais vulneráveis e é por isso que o Banco Alimentar sente a responsabilidade de acudir a quem precisa. "É fundamental que nós possamos dar resposta quando há mais pedidos, como nesta altura, pedidos de famílias que têm os orçamentos completamente esticados e para quem o peso da habitação representa uma parcela muito grande, demasiado grande, e que não têm qualquer folga", explica Isabel Jonet.
Os pedidos chegam também à DECO. Natália Nunes, do gabinete de proteção financeira da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, faz o retrato aos rendimentos de quem pede ajuda: a média está nos 1300 euros, mas há quem ganhe ainda menos. Para esses é mais difícil lidar com os aumentos no supermercado. "Com esta subida, as famílias acabam por estar - estas dos baixos rendimentos - num verdadeiro sufoco. Já temos famílias a darem-nos o testemunho de que têm de fazer opções na compra dos alimentos", sublinha. Por causa disso, a DECO encaminha muitos desses casos para a rede social de apoio.
Oriana Barcelos - RTP Antena 1
Nícia LãBranca, diretora técnica do centro, e Orlando Reguinga, coordenador da equipa que acompanha as famílias beneficiárias do Rendimento Social de Inserção não têm mãos a medir, não têm tempo sequer para celebrar a autonomização dos utentes, quando eles deixam de precisar de ajuda: logo depois há uma nova urgência a que é preciso acudir. Sobretudo em tempos de crise. "Nós notamos muito sobretudo quando há crises, quando falamos em guerra, quando falamos na pandemia. A crise em 2014 também foi muito acentuada e, sempre que há esses ciclos, acabam por ter uma influência direta na capacidade destas famílias - que são as mais vulneráveis - em conseguirem fazer face aos aumentos significativos", explicou Orlando Reguinga.
Oriana Barcelos - RTP Antena 1
Em todo o país, há bancos que fazem um trabalho semelhante. Ao todo, de norte a sul e nas ilhas, eles apoiam 380 mil pessoas, com mais de 100 toneladas de comida, diariamente. O valor tem permanecido estável, sobretudo desde a pandemia de covid-19, mas este ano, nos últimos meses, tem sido claro um aumento dos pedidos.
Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, regista esse acréscimo, motivado pela subida dos preços dos combustíveis e da energia - que fazem crescer, também, os preços dos alimentos. São nuances que atingem as famílias mais vulneráveis e é por isso que o Banco Alimentar sente a responsabilidade de acudir a quem precisa. "É fundamental que nós possamos dar resposta quando há mais pedidos, como nesta altura, pedidos de famílias que têm os orçamentos completamente esticados e para quem o peso da habitação representa uma parcela muito grande, demasiado grande, e que não têm qualquer folga", explica Isabel Jonet.
Os pedidos chegam também à DECO. Natália Nunes, do gabinete de proteção financeira da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, faz o retrato aos rendimentos de quem pede ajuda: a média está nos 1300 euros, mas há quem ganhe ainda menos. Para esses é mais difícil lidar com os aumentos no supermercado. "Com esta subida, as famílias acabam por estar - estas dos baixos rendimentos - num verdadeiro sufoco. Já temos famílias a darem-nos o testemunho de que têm de fazer opções na compra dos alimentos", sublinha. Por causa disso, a DECO encaminha muitos desses casos para a rede social de apoio.
RTP Antena 1
Em Belas, no município de Sintra, está uma das instituições que ajudam quem está em apuros. Todos os meses, o Centro Social da Sagrada Família chega, com alimentos, a mais de 30 famílias. É uma ajuda essencial para pessoas como Isabel Cabaços e Anabela Lucas, a braços com rendimentos baixos e contas de supermercado cada vez mais altas. "O que nós [comprávamos] antes com 50 euros agora tenho de ir com 80. E não comemos aquilo que gostaríamos de comer", explica Isabel Cabaços.Oriana Barcelos - RTP Antena 1
Nícia LãBranca, diretora técnica do centro, e Orlando Reguinga, coordenador da equipa que acompanha as famílias beneficiárias do Rendimento Social de Inserção não têm mãos a medir, não têm tempo sequer para celebrar a autonomização dos utentes, quando eles deixam de precisar de ajuda: logo depois há uma nova urgência a que é preciso acudir. Sobretudo em tempos de crise. "Nós notamos muito sobretudo quando há crises, quando falamos em guerra, quando falamos na pandemia. A crise em 2014 também foi muito acentuada e, sempre que há esses ciclos, acabam por ter uma influência direta na capacidade destas famílias - que são as mais vulneráveis - em conseguirem fazer face aos aumentos significativos", explicou Orlando Reguinga.
Para os cabazes, contribuem as empresas do concelho e, também, o Banco Alimentar, que vai ter uma campanha de recolha nacional nos dias 30 e 31 de maio, consciente de que, no atual contexto, os donativos podem diminuir. "Eu digo sempre que as campanhas têm o resultado melhor que pode acontecer naquela altura e tenho a certeza de que no último fim de semana de maio, uma vez mais os portugueses vão manifestar a sua solidariedade seja através de voluntariado, dando o seu tempo, à porta do supermercado ou no armazém, ou doando alimento. Não é preciso doar muitos alimentos, é preciso dar um alimento para não faltar a uma família", conclui Isabel Jonet.
Ana Gonçalves - RTP Antena 1