Crucifixos deviam ter saído das escolas em 1974, diz Louçã
O candidato presidencial Francisco Louçã afirmou hoje, no Porto, que a retirada de crucifixos das escolas públicas portuguesas "devia ter acontecido na tarde de 25 de Abril de 1974 ou, quando muito, no dia em que a constituição foi aprovada".
"Somos um Estado laico, não confessional. No ensino público português é tão surpreendente que haja um crucifixo como um símbolo islâmico", disse o candidato presidencial.
Na sequência de uma queixa da Associação República e Laicidade, o Governo sublinhou que uma eventual retirada de símbolos religiosos de escolas públicas só se efectivará no seguimento de queixas, que serão depois estudadas pelas autoridades competentes, numa lógica de caso a caso.
A lei que prevê este tipo de situações está já em vigor há cerca de seis meses.
"Um Estado com uma Igreja dentro de si próprio é uma nova parceria Salazar/Cardeal Cerejeira", acrescentou Francisco Louçã, que falava numa acção de rua da sua candidatura na Baixa do Porto.
O candidato considerou ainda que as declarações recentes de Paulo Portas sobre a necessidade de uma nova Constituição para Portugal se desenvolver "não têm viabilidade, não são credíveis e não são democráticas".
"Mal estaria o país se fosse dirigido por pessoas que acham que existe excesso de democracia. Precisamos é de a ampliar", acrescentou.
Rejeitou ainda a proposta de Pinto Balsemão de instituição de um regime presidencialista em Portugal, salientando a necessidade de um sistema como o actual, feito de "contra-balanços", para impedir "desvios das maiorias absolutas".
"Há muitos apoiantes de Cavaco Silva que defendem o regime presidencialista e Santana Lopes tinha mesmo proposto um referendo sobre o assunto, mas isso diminui a democracia", considerou Louçã.