Cunhal, um sedutor político que arrastava multidões - Zita Seabra

Cunhal, um sedutor político que arrastava multidões - Zita Seabra

A antiga dirigente comunista Zita Seabra, hoje deputada do PSD, recordou Álvaro Cunhal como um "homem muito corajoso" e como um "sedutor político", que por isso "arrastava multidões".

Agência LUSA /

Zita Seabra disse à Agência Lusa que apesar da notícia da morte do veterano líder comunista ser aguardada, não deixou de lhe provocar um "certo choque".

É o fim de uma personalidade que marcou a vida política nos últimos 50 anos, lembrou.

"Era um homem muito corajoso, de grande determinação e um sedutor político, que dedicou toda a vida a lutar pela sua ideologia", continuou Zita Seabra, que durante muitos anos foi considerada próxima do líder histórico do PCP.

A antiga militante comunista, que foi expulsa do partido no final dos anos 80, lembrou ainda o "lado intelectual" do antigo secretário-geral do PCP.

"Tinha o lado revolucionário, mas ao mesmo tempo era um intelectual", adiantou Zita Seabra, recordando os seus romances e os desenhos que fazia nas reuniões e que guardava religiosamente, em que os protagonistas eram camponesas, operárias e meninos de rua.

Esses desenhos, sublinhou, serviam para ilustrar os seus romances.

"Quando consciencializou o fim do comunismo em 1990, Álvaro Cunhal retirou-se dois anos depois da vida política, começando a divulgar o seu lado intelectual", acrescentou à Lusa.

Álvaro Cunhal morreu hoje aos 91 anos.


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