Decisão de encerrar Internacional "ultrapassa" Reitor da instituição (C/ FOTOS)
Figueira da Foz, Coimbra, 03 Out (Lusa) -- O reitor da Universidade Internacional da Figueira da Foz (UIFF) considerou hoje que a decisão da tutela em ordenar o encerramento compulsivo da instituição o ultrapassa, por estar relacionada com a alegada falta de viabilidade económica da entidade proprietária.
"É um caso que me ultrapassa. Se fosse um caso de nível académico, eu saberia como responder mas é um assunto de viabilidade económica e financeira da entidade instituidora [a SIPEC]", disse à agência Lusa Quirino Soares, juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) ordenou hoje o encerramento compulsivo da Universidade Internacional de Lisboa e da Figueira da Foz, decisão que é provisória e passível de recurso por parte da entidade gestora.
Segundo o ministro, a Inspecção-Geral do Ministério concluíu pela falta de viabilidade económica da instituição, a qual tem um impacto profundamente negativo na actividade dos dois estabelecimentos de ensino.
O reitor disse desconhecer os activos financeiros e patrimoniais bem como as eventuais dívidas da entidade gestora da universidade: "A SIPEC é que tem de saber o dinheiro que tem, o património que tem, as dividas que tem. Não convém, na minha qualidade de autoridade académica, estar a imiscuir-me em assuntos onde não sou chamado", sustentou.
Garantiu, no entanto, que a Universidade Internacional da Figueira da Foz tem cumprido os seus compromissos "a tempo e horas".
"Tudo tem sido pago, com mais ou menos dificuldade, a tempo e horas. Fornecedores, professores, toda a gente é paga, as coisas têm corrido bem e enquanto isso acontecer para mim há viabilidade", disse.
Quirino Soares recebeu hoje, em mão, o despacho do ministro Mariano Gago, entregue ao final da tarde na Universidade Internacional da Figueira da Foz por um funcionário da Direcção-Geral do Ensino Superior mas afirma que ainda não analisou o documento.
"Mas serão fundamentos que não poderei contrariar em grande parte, dizem respeito a própria vida da entidade instituidora. Se fosse uma questão académica, teria uma resposta irrespondível porque, efectivamente, a gente aqui trabalha como deve ser, aqui não há cursos a martelo, não há cursos fictícios", argumentou.
No entanto, manifestou-se disponível para "ajudar" a administração da SIPEC a "contrariar" o despacho ministerial, o que deverá ser feito num prazo de 10 dias.
Expressou ainda preocupação pelo "alarme" que a notícia da decisão de encerrar a universidade possa causar nos cerca de 300 alunos dos cursos de Gestão, Direito e Psicologia da UIFF, admitindo vir a reunir "rapidamente" com os estudantes.
"Teremos de sossegar os alunos e adoptar uma estratégia de manutenção da universidade. Estas coisas acontecem à sexta-feira, vai dar azo a que durante o fim-de-semana [os alunos] fiquem em polvorosa", sublinhou.
JLS.
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