Degradação da Secundária da Maia condiciona igualdade no ensino
A Associação de Estudantes da Escola Secundária da Maia denunciou hoje a degradação das instalações e a falta de equipamentos educativos, lamentando a ausência de apoios financeiros do Estado para inverter este quadro.
"Ouvimos falar muito em igualdade no ensino, mas que igualdade temos nós numa escola em que as salas de aula e os pavilhões estão completamente degradados?", questionou Pedro Ricardo, presidente da associação de estudantes.
O líder estudantil falava à agência Lusa à margem da apresentação de um estudo realizado por alunos do 12º ano, no quadro da área projecto na disciplina de Artes Visuais, que analisou exaustivamente as condições em que se encontram os nove pavilhões em que funciona a escola, um dos quais "um pré-fabricado que é provisório há mais de 25 anos".
"Este pavilhão `fantasma`, como lhe chamamos, tem salas de aula onde é impossível estar no Verão, devido ao calor, e no Inverno, por causa do frio", salientou Pedro Ricardo.
A divulgação do estudo, segundo o dirigente estudantil, tem como principal objectivo "sensibilizar a opinião pública para os problemas" da Escola Secundária da Maia, frequentada actualmente por cerca de 2.100 alunos.
Pedro Ricardo destacou, entre muitos outros problemas, a degradação em que se encontram as coberturas das ligações entre pavilhões, o que faz com que "seja quase impossível circular em dias de chuva sem ficar molhado", as condições em que se encontram muitas salas de aula e a falta de equipamentos educativos "que permitam aos professores exercer melhor a sua função".
"O Conselho Executivo está consciente do problema, mas diz que são necessárias verbas, que não tem", frisou Pedro Ricardo, defendendo a necessidade de "um investimento do Estado para resolver os problemas da escola".
A Escola Secundária da Maia, inaugurada no início da década de 70 do século passado, ficou em 63º lugar entre as 513 escolas portuguesas que integraram o ranking feito, em 2006, com base na média das classificações finais do 12º ano de escolaridade.
Curiosamente, os problemas de instalações e de falta de equipamentos educativos também marcaram o arranque desta escola, que começou a funcionar em 1972 num edifício sem condições, onde o mobiliário era reduzido, sem pessoal auxiliar e funcionários administrativos.
A `secretaria` funcionava na mala do automóvel do director e o corpo docente tinha apenas uma dezena de elementos.
As instalações actuais resultam das obras de ampliação e remodelação realizadas em 1987, disponibilizando actualmente a escola uma grande diversidade de cursos, entre os quais técnicos e tecnológicos, em horários diurnos e nocturnos.