Dia da Espiga. Tradição de compra do ramo mantém-se viva em Lisboa

Dia da Espiga. Tradição de compra do ramo mantém-se viva em Lisboa

Hoje assinala-se em todo o país o Dia da Espiga também conhecido como quinta-feira da Ascensão. Simboliza a ligação à Natureza e na maior cidade do país este ritual mantém-se. Em várias ruas e recantos de Lisboa vende-se e compra-se o ramo cheio de cor e simbolismo.

Arlinda Brandão - RTP Antena 1 /
Fotografias: Arlinda Brandão

No meio de Lisboa, junto à porta do Hospital Egas Moniz, Lurdes tem três alguidares cheios de ramos de Espiga. Já não é o primeiro ano em que vende neste local e tem corrido sempre bem, diz. 

Este ano traz cerca de 200 ramos. Vive na freguesia da Ajuda e foi lá que colheu malmequeres, papoilas e ramos de oliveira num terreno vizinho. As espigas foram compradas no mercado.

João quer comprar dois ramos de Espiga para "manter a tradição na familia".
Junto à estação do Cais do Sodré, Paulo também está a vender o ramo de Espiga e diz que o negócio está a correr bem, com muita afluência. Ermelinda no meio da correria para apanhar os transportes para o trabalho compra um ramo. O preço é 3 euros e meio.

Diz que preferia passar o dia no campo a apanhar e a fazer ela própria o ramo, como acontecia na sua terra de infância, junto a Leiria. Como não consegue, vai compra-lo e leva-lo para casa, cumprindo assim a tradição.

Neste dia celebra-se a consagração da Primavera e de acordo com a tradição católica, a subida de Cristo ao céu, 40 dias após a ressurreição, a Páscoa.

Mas para além de uma comemoração religiosa, o Dia da Espiga é um ritual antigo ligado à terra e aos ciclos naturais.

Segundo a tradição, o Dia da Espiga era um dia de descanso e uma oportunidade para aproveitar o início do bom tempo para sair num passeio pelos campos, fazer um piquenique e compor o tradicional ramo da espiga.
“Quem tem trigo de Ascensão, todo ano terá pão”
Este é um ditado antigo que acompanha o Ramo da Espiga que inclui espigas de trigo e flores silvestres, como papoilas ou malmequeres, raminhos de oliveira, alecrim e videira.

Cada elemento tem o seu significado segundo a sabedoria popular: as espigas representam o pão, como a base do sustento da família, e a fecundidade. A papoila significa amor, vida. O malmequer simboliza a riqueza e prosperidade. A oliveira significa Paz e a Luz Divina. O alecrim representa a saúde, força e resiliência. A videira simboliza o vinho e a alegria.

Alguns destes significados passados de geração em geração vão tendo interpretações ligeiramente diferentes dependendo de cada um.
Segundo os costumes antigos, o ramo deve ser colocado atrás da porta de entrada de casa e deve ser substituído no ano seguinte, por um ramo novo, como símbolo de sorte e prosperidade do lar.
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