Diocese do Porto evoca D. António, o bispo que enfrentou Salazar

Diocese do Porto evoca D. António, o bispo que enfrentou Salazar

A Diocese do Porto e a Fundação Spes iniciam hoje, no Porto, as comemorações do centenário do nascimento de D. António Ferreira Gomes, bispo que enfrentou Salazar e esteve, por isso, 10 anos exilado em vários países europeus.

Agência LUSA /

Para começar a assinalar o centésimo aniversário de D. António Ferreira Gomes - que ocorre em 10 de Maio de 2006 - a Diocese do Porto descerra uma placa memorial e vai transferir a estátua do bispo, agora situada junto à Torre dos Clérigos, para um local com mais visibilidade.

As comemorações do centenário do bispo que enfrentou Salazar, que têm também o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida e do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes, vão prolongar-se por um ano.

A estátua de D. António tinha sido colocada, pela Sociedade Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, no topo da Rua da Assunção, um local pouco visível.

A mudança resulta de vários pedidos da Fundação Engenheiro António de Almeida à Câmara do Porto, que nunca concretizou a solicitação, pelo que a própria fundação assumiu recentemente as despesas da sua reinstalação.

Também hoje vai representar-se um "Jornal falado", iniciativa que a Seiva Trupe promove no Teatro Campo Alegre e que será moderada pelo bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo.

Após o "Jornal falado" decorre a apresentação do espectáculo "António, Bispo do Porto", idealizado por Margarida Fonseca Santos.

D. António nasceu a 10 de Maio de 1906, em São Martinho de Milhundos, Penafiel, tendo-se doutorado em Filosofia na Universidade Gregoriana de Roma.

Foi nomeado bispo de Portalegre e depois bispo do Porto, em 1949 e 1952, respectivamente.

A 13 de Agosto de 1958, D. António escreveu uma carta a Salazar, na qual, mantendo-se fiel à doutrina da Igreja, exprimia a sua preocupação acerca de alguns aspectos negativos, do ponto de vista social, do regime de então.

Por pressão de Salazar, o bispo viu-se obrigado a optar pelo exílio em 1959, tendo passado por Espanha, Alemanha e França. Só regressou a Portugal passados 10 anos.

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