Direção da PSP confirma acesso a dados de 20 agentes

Direção da PSP confirma acesso a dados de 20 agentes

A Rede Nacional de Segurança Interna foi alvo de tentativas de pirataria informática, confirmou fonte da direção nacional da PSP à Antena1. A rede resistiu ao ataque de um grupo de piratas informáticos, que depois tentou entrar nas páginas dos sindicatos que representam os agentes policiais. A PSP admite que foram conseguidos os contactos de 20 agentes mas, de acordo com a agência Lusa, o grupo LulzSec Portugal divulgou, sábado, os dados pessoais de pelo menos 107 elementos de três esquadras da zona de Chelas, em Lisboa.

RTP /
A divulgação dos dados pessoais de agentes da PSP é uma "resposta aos ataques de mais de 50 'agentes provocadores' infiltrados na manifestação” da passada quinta-feira, diz o grupo LulzSec Portugal LulzSec Portugal

As tentativas de ataque à Rede Nacional de Segurança Interna, sexta-feira, motivaram a atuação de todos os mecanismos previstos para bloqueio da mesma, apurou a jornalista da Antena 1 Patrícia Cerdeira. Esta rede reúne todas a informação do país no que respeita a órgãos de polícia criminal.

Como o acesso estava blindado, os piratas tentaram aceder aos sites dos vários sindicatos da Polícia de Segurança Pública. Os piratas informáticos conseguiram, então, informações pessoais de mais de duas dezenas de agentes, três dos quais da esquadra de Chelas, em Lisboa.

Os polícias em causa exercem funções transversais a todas as áreas. A PSP sublinha que as informações em circulação não estão relacionadas com investigações policiais.

Ainda de acordo com a fonte da PSP, foi a direção nacional a contactar as estruturas sindicais para desativar todas as páginas de Internet.

Na página oficial da PSP no Facebook lê-se que não há “registo de qualquer intrusão no seu site externo ou na rede de informações/procedimentos policiais. Existem tentativas externas de intromissão no site institucional da PSP que não surtiram efeito até ao momento. Ciente destes factos, a PSP tem retirado pontualmente da web, o acesso ao site pelo qual pedimos desculpa. As bases de dados tornadas públicas são originárias num site de um sindicato policial externo à PSP e que estão a ser investigadas”.

A investigação está em curso desde sexta-feira por equipas especializadas. Contactado pela Antena1, o Ministério da Administração Interna não comenta.

Chefes da PSP prometem queixa-crime
A Associação Sócio-Profissional da Polícia (ASPP), a mais representativa organização sindical da PSP, encerrou temporariamente a página na Internet, até retirar toda a informação que possa comprometer a polícia ou os associados. O representante da ASPP, Paulo Rodrigues, convidou os outros sindicatos a fazerem o mesmo.

Já o Sindicato Nacional da Carreira de Chefes da PSP tenciona apresentar uma “ação crime contra os hackers”, autores do ataque à sua página de Internet. Manuel Gouveia recusa que os contactos tenham sido obtidos no site da estrutura que lidera, mas admite a entrada na lista "dos sócios que se inscrevem através da Internet" e "dentro das publicações" da página.

"Os dados que constam nessas fichas são o número de matrícula do indivíduo e onde presta serviço. Só que estamos a falar de chefes e a listagem de agentes da esquadra de Chelas tem a ver com agentes e não com chefes. Daí nós dizermos que a nós esse assunto não nos diz respeito", explicou o presidente do sindicato.

Um grupo de piratas informáticos, que se designa por LulzSec Portugal, divulgou sábado os postos, patentes, telefone e endereço electrónico de mais de uma centena de elementos da PSP de três esquadras (14., 16. e 38.) da zona de Chelas.

A ação foi justificada no Twitter como uma "resposta aos ataques de mais de 50 'agentes provocadores' infiltrados na manifestação” da passada quinta-feira.
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