Diretor de Recursos Humanos da ULS Lisboa Ocidental suspenso e alvo de processo disciplinar

Diretor de Recursos Humanos da ULS Lisboa Ocidental suspenso e alvo de processo disciplinar

O diretor de Recursos Humanos da ULS Lisboa Ocidental, acusado de ter amarrado uma funcionária a uma cadeira com fita-cola, foi suspenso e está a ser alvo de um processo disciplinar, confirmou hoje à Lusa a instituição.

Lusa /
João Marques - RTP

Segundo a notícia avançada pela TVI, André Coelho Dias, foi suspenso por 90 dias.

Contactado pela Lusa, a Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental (ULSLO) afirmou que, por decisão do conselho de administração, "o diretor de Recursos Humanos está afastado de funções enquanto estiver a decorrer o processo disciplinar".   

O funcionamento da área de Gestão de Recursos Humanos da instituição levou o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, a enviar no final de maio um ofício à presidente do Conselho da ULS de Lisboa Ocidental, Isabel Aldir, e uma participação à Inspeção-Geral das Atividades da Saúde (IGAS).

Nessa participação, a que a Lusa também teve acesso, a Ordem denuncia a atuação da direção do Serviço de Gestão de Recursos Humanos e anexa uma tomada de posição subscrita por mais de 95% dos diretores, gestores e responsáveis de estruturas clínicas e assistenciais da ULS Lisboa Ocidental, dirigida ao Conselho de Administração, na qual são descritas situações de "elevada gravidade".

 A ordem diz que recebeu diversos relatos que "reforçam a preocupação" relativamente ao ambiente laboral existente na ULS Lisboa Ocidental e à atuação da direção do referido serviço.

Entre os casos denunciados está o de uma trabalhadora com mais de 20 anos de serviço naquele departamento, que terá sido alvo de uma situação descrita por vários profissionais como "particularmente humilhante".

 Segundo os relatos recebidos, o episódio terá ocorrido há cerca de um mês e incluiu "a utilização de fita-cola e expressões dirigidas à trabalhadora em tom intimidatório", designadamente: "Não se levanta até terminar o que lhe mandei".

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) já instaurou um processo de esclarecimento para apurar os factos relacionados com denúncias que envolvem o diretor do serviço de Gestão de Recursos Humanos, segundo noticiou o Público.

Segundo a IGAS, o processo de esclarecimento foi instaurado por despacho do inspetor-geral, Carlos Carapeto, em 5 de Junho, com "o objetivo de apurar os factos relacionados com denúncias de alegadas situações de assédio envolvendo um dirigente na Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental".

No dia 31 de maio, João Gamelas demitiu-se do cargo de diretor clínico para a área hospitalar da ULS Lisboa Ocidental por razões pessoais, mas reconheceu à Lusa que "o problema que se vive na confiança e na relação com os profissionais" pesou na decisão.

 O médico saiu da instituição quando existiam várias denúncias sobre o ambiente de trabalho vivido no Serviço de Gestão de Recursos Humanos da ULS, que integra os hospitais São Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz, além de 19 centros de saúde com 40 unidades funcionais nos cuidados de saúde primários.

  Questionado sobre as razões da saída do cargo e da ULS Lisboa Ocidental, onde foi também diretor de Serviço de Urgência e dirigiu o Serviço de Ortopedia e Traumatologia, o especialista invocou razões pessoais.

  "Vou mudar para uma vida mais consentânea com os meus 65 anos de idade, mas deixo com muita pena a instituição, ao fim de tantas décadas, e tantos, tantos amigos, ainda para mais numa situação tão difícil como a que vivemos no momento", declarou.

  João Gamelas reconheceu também que "o problema que se vive na confiança e na relação com os profissionais" pesou na decisão que tomou em março e foi concretizada no final de maio.

  Fontes da instituição disseram na altura à Lusa que, apesar de o médico ter alegado razões pessoais para deixar o cargo, a situação tensa vivida nos recursos humanos terá sido um dos fatores que o levaram a renunciar ao cargo.

 

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