Documentário mostra esforços moradores da Cova da Moura no combate à marginalidade
O documentário "Djunta Môn", lançado hoje em Lisboa, pretende dar voz aos habitantes da Cova da Moura, na Amadora, bairro que se esforça diariamente no combate à pobreza, marginalidade e na procura da integração.
Realizado por Abílio Leitão e Teresa Maia e Carmo, o documentário traz para primeiro plano a vida dos habitantes da Cova da Moura e mostra que o bairro tem uma actividade própria.
"A Cova da Moura é um bairro com vida própria que pretende juntar-se à cidade a ao país no esforço de combate à pobreza e à marginalidade, assim como na procura de uma maior integração", disse à Agência Lusa Abílio Leitão.
De acordo com o realizador, o documentário revela que o bairro tem vida própria e organizações de carácter social "muito fortes".
Como exemplo, Abílio Leitão destaca o trabalho desenvolvido pela associação de moradores e a cooperativa Moinho da Juventude e os serviços que existem no bairro, como cafés, restaurantes, lojas, oficinas, mercearias, cabeleireiros e agências de viagens.
"Através de depoimentos de vários habitantes, o documentário pretende desmistificar a imagem negativa que as pessoas têm do bairro", disse, sublinhando que a Cova da Moura "normalmente é apresentada como um covil de bandidos".
Abílio Leitão admitiu a existência de alguma marginalidade, mas realçou que as pessoas da Cova da Moura trabalham e fazem parte da população activa de Portugal.
O realizador referiu ainda que os moradores sentem-se "discriminados" e "excluídos", sentimentos mais notórios nas segundas gerações.
"As segundas gerações sentem-se mais excluídas porque têm outra mentalidade e têm mais consciência dos seus direitos", afirmou.
O documentário "Djunta Môn" é lançado hoje no Centro Nacional de Apoio ao Imigrante, em Lisboa, no âmbito da Semana da Diversidade Cultural que o Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas está a organizar ao longo desta semana.