Doze anos de prisão efectiva para assassino de Nélio Marques

Doze anos de prisão efectiva para assassino de Nélio Marques

Gonçalo Cardoso foi considerado culpado pelo homicídio de Nélio Marques, filho do antigo jogador do Benfica Nélinho, e condenado a 12 anos de prisão efectiva e ao pagamento de 251 mil euros à família.

RTP /

Pouco passava das 14h00 quando o colectivo de juízes da 2ª Vara Criminal de Lisboa começou a ler o extenso acórdão ao julgamento em que Gonçalo Cardoso enfrentava a acusação de homicídio qualificado.

O colectivo de juízes condenou Gonçalo Cardoso a doze anos de prisão efectivo ao dar por provado que este atingiu Nélio Marques com três tiros nas costas e qualificando o acto de "aleivosia".

O homicida foi também condenado a pagar à família da vítima uma indemnização cível no valor de 251 mil euros acrescidos de juros de mora. A esta quantia serão deduzidos 40 mil euros já entregues anteriormente à família.

Terá ainda de pagar à Segurança Social a quantis de 2.248 euros acrescidos de juros de mora.

Os advogados de Gonçalo Cardoso não se pronunciaram enquanto José António Barreiros que representava a família da vítima embora reservando a posição para mais tarde admitiu não ir recorrer da sentença.

"Fez-se justiça.Ficou provado que Nélio Marques foi atingido pelas costas. Esperava esta decisão. Tenho de ler o acórdão antes de decidir", afirmou José António Barreiros.

O antigo jogador do Benfica, Nélinho, pai da vítima, estava insatisfeito com a sentença que considerou pecar por pequena.

"Não estava à espera. Foi tudo provado em tribunal. Um jovem foi morto pelas costas, depois de tudo estar ultrapassado. Eu esperava e a família também que a pena fosse para cima dos vinte anos. 12 anos não é nada".

Ministério Público e advogado de defesa alegaram atenuantesNas suas alegações finais, o Procurador pediu aos juízes do Tribunal Colectivo que outrora reunia na Boa-Hora e agora depois da reestruturação judiciária fez do Parque das Nações sua sede, para levar em linha de conta com atenuantes quando determinasse a pena a aplicar ao autor do homicídio que se sentava no banco dos réus.

O Magistrado do Ministério Público, representante da acusação na audiência de julgamento, referiu que a conduta do arguido deveria ser atenuada e consequentemente enquadrada numa classificação menos gravosa. O Procurador preferiu qualificar a conduta tanto do Arguido como da vítima como uma demonstração de "machos lusitanos" perante as namoradas.

"Custa-nos perceber como é que isto aconteceu, como é que uma simples picardia de trânsito teve este desfecho", disse o procurador. O procurador alegou que Nélio Marques seguiu Gonçalo Cardoso até à bomba de gasolina depois de a namorada lhe ter dito "este tipo é doido" e defendeu que o arguido agiu como agiu por ter sido "sovado à frente da namorada".

De qualquer forma e em relação à matéria provada na audiência de Julgamento o Procurador sempre foi adiantando que "provou-se toda a matéria da acusação, à excepção que o arguido tenha atingido a vítima com três projécteis, mas com dois".

O magistrado foi mais longe e afirmou estar convencido que não fora a presença das namoradas e a situação que se tratou de uma mera rixa de trânsito poderia ter ficado resolvida com uns insultos verbais. Concluiu lembrando que não há nenhuma indemnização que pague a perda de um filho, para no fundo, pedir ao juiz que concorde com o pedido de indemnização cível apresentado pela família.

João Nabais, advogado de Gonçalo Cardoso, aproveitou a deixa do Ministério Público e seguindo nessa linha considerou que o colectivo de juízes deveria considerar a possibilidade de "excesso de legítima defesa" e de não condenação.

"Entendo que o mais longe que se pode ir nesta matéria é considerar homicídio simples", afirmou Nabais no tribunal do Parque das Nações considerando também, à semelhança do Ministério Público, que deveria haver uma "atenuação especial".

O Advogado da família constituída Assistente no processo e que nele pede uma indemnização cível ao arguido, José António Barreiros, qualificou a versão apresentada pelo Magistrado do Ministério Público de "romanesca".

"O senhor procurador traz-nos uma visão um bocadinho romanesca, com base numa demonstração das respectivas virilidades", contestou, contrapondo a essa tese o facto de na altura dos disparos a contenda já ter terminado e a vítima já se ter afastado quando foi "atingida pelas costas". "O essencial aqui é a desnecessidade de disparar", frisou José António Barreiros.

Disputa no asfalto resulta em agressões e morte

Os factos remontam ao ano de 2005, quando, em Lisboa, Nélio Marques e Gonçalves Cardoso se picaram mutuamente nas estradas da capital procurando presumivelmente provar às respectivas namoradas que viajavam com eles nas auas viaturas que eram melhores que o outro.

Na sequência de uma ultrapassagem provavelmente mais afoita, Nélio Marques e Gonçalo Cardoso saíram da estrada e entraram num posto de abastecimento de combustíveis,

Uma vez parados os automóveis os dois condutores abandonaram as viaturas e o confronto terá passado a ser verbal e físico.

A crer na versão do Ministério Público, terminado o confronto físico e quando Nélio Marques já se retirava para a viatura, Gonçalo Cardoso terá puxado de uma pistola e atingido o filho do antigo jogador do Benfica com dois tiros nas costas do que resultou a morte para o infortunado jovem.

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