Doze organizações de utentes contestam fecho de urgência de obstetrícia do Barreiro

Doze organizações de utentes contestam fecho de urgência de obstetrícia do Barreiro

Doze organizações de utentes dos serviços públicos assinaram um manifesto no qual criticam o encerramento da urgência de ginecologia e obstetrícia do Barreiro, distrito de Setúbal, e que pretendem entregar à ministra da Saúda na sexta-feira.

Lusa /
António Pedro Santos - Lusa

No manifesto as organizações, que no sábado estiveram reunidas em Pinhal Novo, no concelho de Palmela, consideram que o encerramento das urgências daquela valência da unidade hospitalar é "incompreensível e injustificável".

Por outro lado, defendem que "irá agravar os atuais constrangimentos existentes e sobrecarregar a urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital Garcia de Orta, onde serão concentradas, e potenciar as condições para que os partos possam ocorrer, ainda com mais frequência, fora de um ambiente hospitalar seguro e necessário, em caso de intercorrência", tendo em conta a distância entre os concelhos servidos pelo Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, e o Garcia de Orta, em Almada.

As comissões de utentes da Península de Setúbal têm reivindicado a construção do hospital do Seixal, a reativação do hospital do Montijo e a construção de unidades de saúde de cuidados primários necessárias para as populações em todos os concelhos.

"O que se impõe é uma opção clara pelo investimento no serviço público de saúde, dotando os centros de saúde e os hospitais da Península de Setúbal dos meios financeiros, humanos e materiais necessários para responder às necessidades da população. É com esse compromisso que continuamos atentos, exigentes e confiantes de que é possível construir um Serviço Nacional de Saúde melhor, em defesa dos utentes", advogam no documento.

Na sua opinião, o objetivo das alterações é, "claramente, a privatização do serviço público".

"Enquanto se apregoa o `caos` no Serviço Nacional de Saúde, cresce a oferta privada de camas e serviços. Com o crescimento exponencial da oferta privada, começam já a aumentar o preço dos seguros e a diminuição dos serviços convencionados", sustentam.

No manifesto refere-se que a Península de Setúbal tem cerca de 252 mil utentes sem médicos de família e uma mortalidade infantil superior à média nacional. Há partos realizados em ambulâncias devido ao reencaminhamento das grávidas para o Hospital Garcia de Orta e para hospitais da Grande Lisboa, na margem norte do Tejo.

Na urgência obstétrica do Barreiro, é também indicado, foram realizados entre 2014 e 2024 mais de 16 mil partos.

Entendem as organizações que o Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do Barreiro tem tido um papel fundamental na prestação de cuidados às mulheres da região e que o encerramento das suas urgências compromete a segurança da resposta materno-infantil.

O documento foi assinado pelas comissões de utentes da saúde de Almada, do Seixal, de Setúbal, do Montijo, do Bairro dos Martinheiros e de Palmela.

Assinaram-no ainda a Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Concelho do Barreiro, a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, a Comissão Representativa dos Utentes dos Serviços Públicos de Saúde da Quinta do Conde, a Comissão de Utentes de Pinhal Novo, a Comissão de Utentes de Serviços Públicos do Concelho de Sesimbra e o Movimento dos Utentes de Serviços Públicos.

A urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal, a segunda do país no âmbito deste novo modelo, entra hoje em funcionamento, para responder à falta de profissionais de saúde nesta especialidade.

A urgência centralizada vai funcionar a partir das 09:00 em dois polos, um no Hospital Garcia de Orta e outro no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, a considerar que esta é uma solução para garantir previsibilidade e segurança às utentes.

O hospital-sede da urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal, que tem apoio perinatal diferenciado, é o Garcia de Orta, cabendo ao Hospital de São Bernardo assegurar o serviço de urgência para a população da sua área de influência - Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola, Palmela, Santiago do Cacém, Sesimbra e Sines.

A urgência do hospital do Barreiro encerra, mas a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde assegurou que a maternidade vai continuar a funcionar.

Esta é a segunda urgência regional a abrir portas, depois de uma solução idêntica ter sido adotada a partir de 16 de março no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures (distrito de Lisboa), no âmbito de um novo modelo que tem motivado a contestação de autarcas e representantes dos utentes.

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