EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Eixo Norte/Sul demorou 20 anos a concluir e motivou queixas na PGR por falta de segurança

Eixo Norte/Sul demorou 20 anos a concluir e motivou queixas na PGR por falta de segurança

O Eixo Norte/Sul, que quarta-feira fica concluído com a abertura do troço entre o Lumiar e a CRIL, demorou 20 anos a construir e envolveu queixas na Procuradoria-Geral da República por alegados problemas de segurança.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

O primeiro troço do Eixo Norte/Sul, que começa após a Ponte 25 de Abril e termina na Avenida Padre Cruz, está concluído há mais de 10 anos.

Com a inauguração do último lanço, entre a Avenida Padre Cruz e a Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL), os automobilistas que se deslocam entre a Margem Sul e o Norte deixam de ter necessidade de entrar na Segunda Circular para chegarem a Sacavém, onde começa a auto-estrada do Norte (A1).

Por resolver ficaram os alegados problemas de segurança do troço existente desde 1997 entre a Ponte 25 de Abril e a Av. Padre Cruz, alvo de uma queixa-crime do Observatório de Segurança das Estradas e Cidades (OSEC) por alegadas deficiências no traçado.

O OSEC é uma organização não governamental - constituída por juízes, engenheiros e advogados -, que pretende provar que os erros cometidos na construção ou manutenção das estradas são causadores da grande maioria dos acidentes de viação.

Em declarações à agência Lusa, Nuno Salpico, que preside ao Observatório, explicou que o OSEC não teve ainda qualquer resposta quanto às queixas apresentadas.

"Só lhe posso dizer que ainda não fui chamado para qualquer diligência, mas continuamos a reunir mais documentação para juntar ao processo", afirmou.

Na origem da queixa está um estudo de 2005 que identificava várias vias com traçados perigosos, com curvas que violam regras de segurança, entre as quais o Eixo Norte/Sul, a A8 e o IP4, entre Porto e Bragança.

"Nós comunicámos os resultados às diversas entidades competentes e esperámos que alguma coisa fosse feita. O que é certo é que quanto ao Eixo Norte/Sul nada foi corrigido a estrada lá continua a provocar acidentes com os seus defeitos", acrescentou.

O estudo elaborado por engenheiros membros do OSEC em 2005 referia que o IP4 e o Eixo Norte/Sul (entre a Calçada de Carriche e a Avenida da Ponte 25 de Abril) têm curvas que violam regras de segurança estabelecidas por normas de traçado e que são sinalizadas com limites de velocidade acima do que é seguro.

Um dos protestos que mais marcou este último lanço foi encabeçado pelos moradores da freguesia da Ameixoeira, que alegavam que a construção da via os isolava do resto da freguesia.

Outro problema era o mercado municipal do Lumiar, já que estava previsto que a obra passasse por aquela zona. A solução passou pela construção de um viaduto com um dos pilares a assentar no interior do próprio mercado.

A conclusão do Eixo Norte/Sul permitirá criar um novo acesso à capital a partir do nó de ligação com CRIL.

A via servirá para descongestionar o trânsito actualmente existente nos acessos a Lisboa pelo Itinerário Complementar (IC) 22, a auto-estrada do Norte e, sobretudo, o fluxo de veículos resultantes da auto-estrada 8 e da Estrada Nacional 8, que chegam à cidade através da Calçada de Carriche.

Por dia entram em Lisboa cerca de 80 mil veículos através da A1, provenientes do Norte, mas também dos concelhos de Loures, Vila Franca de Xira e Alenquer.

Pelo IC22 entram na capital 30 mil veículos por dia, com origem na Circular Regional Exterior de Lisboa (CREL), na sua maioria do concelho de Loures.

Por seu lado, a A8 e a N8 deslocam para o centro de Lisboa 90 mil veículos originários do distrito de Leiria e dos concelhos mais a norte do distrito de Lisboa, sendo os mais representativos Torres Vedras, Mafra, Odivelas e Loures.

Segundo o Governo, prevê-se o desvio para o Eixo Norte/Sul de cerca de 20 por cento do tráfego que hoje entra em Lisboa pela 2ªCircular na zona Norte.

O Eixo Norte/Sul vai ainda contribuir de forma decisiva para reduzir em cerca de 0,8 por cento as emissões de CO2 na Área Metropolitana de Lisboa e baixar os tempos de percurso de atravessamento da cidade.

Estima-se, por exemplo, que entre Camarate e Marquês de Pombal o tempo de viagem seja reduzido na ordem dos 30 por cento.

O troço a inaugurar quarta-feira tem uma extensão de 4,3 quilómetros, começou a ser construído em Março de 2004 e foi adjudicado ao Consórcio ZAGOPE - Construções e Engenharia, S.A. e Construtora do Tâmega.

Foi candidato ao Fundo de Coesão com um custo estimado de 47.300.650 euros, incluindo aquisição de terrenos, construção, assistência técnica, promoção e divulgação e é co-financiado pela União Europeia em 85 por cento.

Do lanço Lumiar/CRIL fazem parte quatro viadutos, oito passagens superiores, três inferiores, o túnel do Grilo junto ao Forte da Ameixoeira e quatro nós de ligação desnivelados: Ameixoeira, Alto do Lumiar, Camarate e CRIL.

O projecto foi sujeito a Avaliação de Impacte Ambiental e a obra incluiu medidas para minimizar os impactes ambientais, designadamente o Túnel na zona do Forte da Ameixoeira, bem como a utilização de pavimento com características de absorção acústica e a colocação de barreiras acústicas.

PUB