Energia nuclear a partir da água junta cientistas no Algarve
A utilização da água como combustível nuclear, para uma energia limpa e sem emissões para a atmosfera, é o tema da Conferência Mundial de Energia de Fusão Neclear, que decorre de segunda-feira a sábado em Vilamoura, Algarve.
Com a presença de 750 especialistas, a iniciativa servirá para discutir a produção de uma nova energia nuclear limpa, "porque não produz monóxido de carbono, e segura, porque o combustível entra para o reactor à medida que vai sendo consumida", disse à Lusa Carlos Varanda, um dos organizadores do evento.
"Fazer um sol na terra" é a proposta dos cientistas, que defendem novos suportes científicos como solução para ter energia inesgotável e resolver os problemas energéticos mundiais, afirmou.
O especialista, presidente do Centro de Fusão Nuclear em Portugal, pediu aos governos europeus que invistam a sério na descoberta de novas formas de energia, nomeadamente na energia de fusão nuclear.
Segundo o professor do Instituto Superior Técnico, a energia de fusão tem as vantagens inerentes à energia nuclear, nomeadamente não se dá a queima de combustíveis fosseis, nem há emissão de monóxido de carbono para a atmosfera.
"É uma energia praticamente inesgotável, porque os combustível é a água", explicou o docente, sublinhando que o uso do novo método anularia a prazo a actual dependência do petróleo.
Carlos Varandas classificou de demagogos aqueles que acreditam que a resolução dos problemas energéticos à escala mundial assentam apenas nas energias renováveis (hidroeléctrica, marés, eólica, biomassa) ou nas fósseis (carvão, petróleo ou gás).
Asseverou que aquela é a energia que actualmente tem maior potencial, porque é limpa, segura e quase inesgotável.
Um dos maiores problemas com que a ciência se depara para fabricar o tal "sol na terra", é o aquecimento dos meios até estarem à temperatura do centro da nossa estrela (15 milhões de graus centígrados) e a dificuldade em obter materiais que suportem e mantenham estáveis as altas temperaturas obtidas.
Ao contrário da fusão nuclear, a fissão - processo actualmente usado nas centrais nucleares - consiste na desintegração de átomos de elementos pesado, como por exemplo o hélio, e é actualmente responsável pela produção de cerca de 20 a 30 por cento da energia mundial.
Todavia, a fissão apresenta duas desvantagens, disse Carlos Varandas: uma prende-se com a segurança das centrais nucleares, a outra é não saber o destino a dar aos lixos radioactivos, que precisam de milhares de anos para perderem a radioactividade.
A conferência mundial de fusão nuclear, que se realiza alternadamente no Japão, Estados Unidos e União Europeia, traz este ano ao Marinotel de Vilamoura 750 participantes de todo o Mundo para discutirem a fusão nuclear.
O objectivo do evento é apresentar os progressos na investigação científica e no desenvolvimento tecnológico da energia de fusão.
Além das conferências onde os especialista discutirão a física e a engenharia de ponta para a energia de fusão, o evento contará também com uma exposição de fotografias, apoiada por filmes, brochuras e CD+s, destinada ao público em geral.