País
Entre os Açores e Guantanamo
A CIA efectuou entre 2002 e 2005 pelo menos três voos directos entre os Açores e a base de Guantanamo, onde os EUA mantêm prisioneiros suspeitos de terrorismo, indica uma lista da entidade que controla o tráfego aéreo na União Europeia.
De acordo com a lista do Eurocontrol, citada hoje pelo jornal Diário Ec onómico, das três ligações aéreas entre Guantanamo e o aeroporto de Santa Maria, nos Açores, duas foram realizadas pelo avião com a matrícula N85VM - em Novembr o de 2003 e Julho de 2004 - e uma outra pelo avião N982RK. As cargas e os passageiros dos voos são desconhecidos.
O Parlamento Europeu, escreve o DE, considera estes três voos são - tal como outros 18 - suspeitos de actividade ilegal em Portugal por parte dos servi ços secretos externos norte-americanos CIA.
O matutino escreve ainda que, apesar de constarem dos registos do Euroc ontrol, estes voos não aparecem nas listagens do Instituto Nacional de Aviação C ivil (INAC).
Da lista fazem parte ligações directas entre o aeroporto de Santa Maria e aeroportos na Líbia, no Tadjiquistão ou em Marrocos.
A listagem do Eurocontrol divulgada pelo DE surge no mesmo dia em que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, vai ao Parlamento para falar so bre a escala em Portugal de alegados voos secretos da CIA, um ano depois do iníc io da polémica.
Há nove meses, o mesmo assunto já tinha levado o ex-ministro Freitas do Amaral a deslocar-se à comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, onde asse gurou não existirem indícios da passagem por Portugal de voos da CIA para o tran sporte de detidos.
Na mesma altura, o então ministro da Defesa, Luís Amado, afirmou não di spor de "informações que sustentem" a existência de voos irregulares.
O Diário Económico de hoje cita também um documento de 26 de Junho a qu e teve acesso no qual o Ministério da Defesa Nacional conclui que "não consta do registo qualquer voo que refira Guantanamo como origem ou destino".
Em causa, está a alegada utilização de aeroportos portugueses e do espa ço aéreo nacional por aviões ao serviço da Agência Central de Informações (CIA) dos Estados Unidos para o transporte de presumíveis terroristas, detidos e tortu rados em prisões secretas à margem do Direito Internacional.
O Parlamento Europeu criou uma comissão temporária sobre o assunto, pre sidida pelo eurodeputado português do PSD Carlos Coelho, com a missão de, no pra zo de um ano, apurar responsabilidades de dez países europeus em casos de "seque stro, afastamento, rapto e detenções ilegais de suspeitos de terrorismo" efectua das pela CIA no âmbito do combate ao terrorismo.
Em Julho, a comissão produziu um relatório propondo a audição no Parlam ento Europeu de vários responsáveis nacionais, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros português.
No mês seguinte, em Agosto, o Governo afirmou a sua disponibilidade par a avaliar "os termos" do pedido de colaboração dos eurodeputados na investigação aos voos secretos da CIA, desmentindo notícias que davam conta da intenção do e xecutivo de recusar prestar informações ao Parlamento Europeu, com o argumento q ue responde apenas perante a Assembleia da República.
Na terça-feira, em declarações à Lusa Carlos Coelho considerou "altamen te improvável" que o governo português se negue a prestar esclarecimentos à comi ssão temporária do Parlamento, sublinhando que "Portugal ficaria numa situação m uito desagradável, numa posição de suspeita se outra fosse a decisão do governo português".
Também a eurodeputada socialista Ana Gomes, que em Julho sugeriu a audi ção das autoridades portuguesas, considerou impensável uma recusa do executivo p ortuguês, até porque a questão das eventuais actividades ilícitas dos serviços s ecretos norte-americanos em solo europeu "é sobretudo uma questão europeia", mai s que nacional.
O Parlamento Europeu, escreve o DE, considera estes três voos são - tal como outros 18 - suspeitos de actividade ilegal em Portugal por parte dos servi ços secretos externos norte-americanos CIA.
O matutino escreve ainda que, apesar de constarem dos registos do Euroc ontrol, estes voos não aparecem nas listagens do Instituto Nacional de Aviação C ivil (INAC).
Da lista fazem parte ligações directas entre o aeroporto de Santa Maria e aeroportos na Líbia, no Tadjiquistão ou em Marrocos.
A listagem do Eurocontrol divulgada pelo DE surge no mesmo dia em que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, vai ao Parlamento para falar so bre a escala em Portugal de alegados voos secretos da CIA, um ano depois do iníc io da polémica.
Há nove meses, o mesmo assunto já tinha levado o ex-ministro Freitas do Amaral a deslocar-se à comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, onde asse gurou não existirem indícios da passagem por Portugal de voos da CIA para o tran sporte de detidos.
Na mesma altura, o então ministro da Defesa, Luís Amado, afirmou não di spor de "informações que sustentem" a existência de voos irregulares.
O Diário Económico de hoje cita também um documento de 26 de Junho a qu e teve acesso no qual o Ministério da Defesa Nacional conclui que "não consta do registo qualquer voo que refira Guantanamo como origem ou destino".
Em causa, está a alegada utilização de aeroportos portugueses e do espa ço aéreo nacional por aviões ao serviço da Agência Central de Informações (CIA) dos Estados Unidos para o transporte de presumíveis terroristas, detidos e tortu rados em prisões secretas à margem do Direito Internacional.
O Parlamento Europeu criou uma comissão temporária sobre o assunto, pre sidida pelo eurodeputado português do PSD Carlos Coelho, com a missão de, no pra zo de um ano, apurar responsabilidades de dez países europeus em casos de "seque stro, afastamento, rapto e detenções ilegais de suspeitos de terrorismo" efectua das pela CIA no âmbito do combate ao terrorismo.
Em Julho, a comissão produziu um relatório propondo a audição no Parlam ento Europeu de vários responsáveis nacionais, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros português.
No mês seguinte, em Agosto, o Governo afirmou a sua disponibilidade par a avaliar "os termos" do pedido de colaboração dos eurodeputados na investigação aos voos secretos da CIA, desmentindo notícias que davam conta da intenção do e xecutivo de recusar prestar informações ao Parlamento Europeu, com o argumento q ue responde apenas perante a Assembleia da República.
Na terça-feira, em declarações à Lusa Carlos Coelho considerou "altamen te improvável" que o governo português se negue a prestar esclarecimentos à comi ssão temporária do Parlamento, sublinhando que "Portugal ficaria numa situação m uito desagradável, numa posição de suspeita se outra fosse a decisão do governo português".
Também a eurodeputada socialista Ana Gomes, que em Julho sugeriu a audi ção das autoridades portuguesas, considerou impensável uma recusa do executivo p ortuguês, até porque a questão das eventuais actividades ilícitas dos serviços s ecretos norte-americanos em solo europeu "é sobretudo uma questão europeia", mai s que nacional.