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Escola Portuguesa de Luanda muda de instalações no próximo ano lectivo

Escola Portuguesa de Luanda muda de instalações no próximo ano lectivo

A Escola Portuguesa de Luanda (EPL) vai mudar para novas instalações no princípio do próximo ano lectivo, uma obra de raiz orçada em mais de 6,8 milhões de dólares que vai "prestigiar" a imagem de Portugal em Angola.

Agência LUSA /

"Esta é uma obra de referência, um instrumento precioso para consolidar a presença de Portugal em Angola, criando condições para a instalação de quadros portugueses neste país", afirmou Francisco Xavier Esteves, embaixador de Portugal em Luanda.

Em declarações à Lusa, o diplomata considerou que o denominado Centro de Ensino e Língua Portuguesa (CELP) "será uma escola que prestigiará a imagem de Portugal".

A conclusão das obras da primeira fase, orçadas em cerca de 6,8 milhões de dólares, sem equipamento e material didáctico, permitirá que sejam abandonadas as actuais instalações na baixa de Luanda, sem condições para responder às necessidades actuais.

A EPL começou a funcionar em 1986, ocupando actualmente vários edifícios junto ao Ministério das Relações Exteriores, nas imediações da Marginal de Luanda.

O processo para a construção da nova escola foi lançado em meados da década de 90, tendo o projecto sido aprovado pelo Governo Provincial de Luanda em meados de 1999, mas o início das obras foi sucessivamente adiado até aos primeiros meses de 2004.

Agora que as instalações estão quase concluídas, a mudança tem criado algumas dúvidas entre os pais e encarregados de educação, nomeadamente quanto à capacidade da nova escola, já que apenas estará em funcionamento a primeira fase, capaz de albergar cerca de 1.300 alunos.

"Este edifício albergará todos os alunos que actualmente frequentam a EPL", assegurou a arquitecta Júlia Magos, autora do projecto, em declarações à Lusa.

A arquitecta admitiu, no entanto, que "os espaços vão ficar muito cheios, com uma ocupação de quase 100 por cento, o que obrigará a uma grande gestão" enquanto não estiver concluída a segunda fase do projecto.

O embaixador português em Luanda também está consciente deste problema, mas salientou que "não se podia continuar à espera da escola ideal".

Para Francisco Xavier Esteves, a comunidade portuguesa "vai ter uma escola muito boa", especialmente em comparação com as actuais instalações.

"Nesta fase, a escola terá capacidade para cerca de 1.300 alunos, mas, quando estiver concluída a segunda fase, poderá acolher cerca de 2.500 alunos", assinalou, considerando "fundamental que o projecto seja concluído".

O concurso para a segunda fase, que, segundo Júlia Magos, "está a ser preparado", ainda não tem data prevista para o seu lançamento, pelo que ainda é prematuro avançar com uma previsão para o início das obras.

A mudança para as novas instalações vai também implicar uma mudança na gestão da escola portuguesa, que será tutelada pelo Ministério da Educação de Portugal.

"Será uma situação diferente da actual escola, que arrancou por iniciativa de um conjunto de cidadãos e é apoiada pelo Estado português", salientou Francisco Xavier Esteves, numa alusão à cooperativa que possui e gere a actual EPL.

"A nova escola está a ser construída com fundos próprios de Portugal, é evidente que a cooperativa não pode continuar a ser dona da escola", afirmou o diplomata português, frisando, no entanto, que Sdeve ser aproveitada a experiência da cooperativa".

"Temos muito apreço pela obra feita pela cooperativa", acentuou.

A nova Escola Portuguesa de Luanda está a ser construída num terreno com uma área de 37 mil metros quadrados, sendo a primeira fase composta pelas denominadas unidades 1 e 3 do projecto.

A unidade 1, que está praticamente concluída, tem uma área de construção de 4.150 metros quadrados e integra espaços administrativos, áreas de convívio, bar, anfiteatro com 155 lugares e um centro de recursos, constituído por biblioteca, videoteca, hemeroteca e sala de informática.

Quanto à unidade 3, com uma área de construção de 4.457 metros quadrados, é integralmente ocupada por espaços destinados ao ensino pré-escolar, que ocupa uma zona específica vedada, aos três ciclos do ensino básico e ao ensino secundário, estando a conclusão das obras prevista para Março de 2006.

"Os espaços serão agrupados por grupos etários, com os alunos mais novos a ocuparem os andares de baixo e os mais velhos a parte superior do edifício", indicou a autora do projecto de arquitectura.

Quando abrir as portas no início do próximo ano lectivo, a Escola Portuguesa de Luanda terá ainda campos de jogos ao ar livre e uma pista de atletismo com 150 metros de extensão.

Para a segunda fase, que o embaixador português considera ser "fundamental", ficam a unidade 2, totalmente dedicada a espaços para os ensinos básico e secundário, incluindo laboratórios e oficinas, e a unidade 4, que integra o ginásio e os balneários.

"A escola está preparada para ser utilizada por alunos com deficiências motoras, com rampas de acesso exteriores e interiores e elevadores em todas as unidades, possuindo ainda casas de banho adaptadas", descreveu a arquitecta Júlia Magos.

Por outro lado, o edifício destinado a salas de aula foi construído numa rigorosa orientação norte/sul, com protecção solar, paredes duplas com isolamento térmico e tectos também com isolamento térmico, estando ainda equipado com ar condicionado, incluindo as salas de aula.

No espaço ao ar livre, as zonas de sombra serão feitas com árvores, colocadas nas áreas onde os alunos podem estar sentados, tendo Júlia Magos salientado que vão ser deixados "outros espaços preparados para receber mais árvores, caso venha a ser decidido pela direcção da escola".

No exterior, onde se destaca a entrada principal em calçada portuguesa, será criado um parque de estacionamento, estando ainda a escola dotada com posto de transformação, gerador, reservatório de gás e depósito de água para uso exclusivo das instalações escolares, que estarão equipadas com um sistema de detecção de incêndios.

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