Esquadra do Rato. Quatro polícias envolvidos no caso de tortura ficam em prisão preventiva

Esquadra do Rato. Quatro polícias envolvidos no caso de tortura ficam em prisão preventiva

A informação foi avançada esta segunda-feira, no final da leitura das medidas de coação no Campus de Justiça.

RTP /
Foto: António Pedro Santos - Lusa

Quatro dos 14 polícias envolvidos no caso de tortura na esquadra do Rato ficam em prisão preventiva, com possibilidade de passarem a prisão domiciliária. Há ainda três agentes suspensos de funções e oito com termo de identidade e residência.

Em declarações aos jornalistas, o advogado Carlos Melo Alves, que representa alguns dos polícias, adiantou que os seus clientes “vão ficar em obrigação de permanência na habitação, um deles com suspensão de funções e os outros três só com termo de identidade e residência”.
Um dos clientes sujeito à medida de coação de prisão domiciliária é chefe da Polícia.

O advogado de defesa realçou ainda que “este é um processo altamente mediatizado em que, em todas as notícias e comentários, aquilo que se ouvia era criticar de forma veemente a polícia”.

“Sendo que algumas situações não passam do exercício de funções destes agentes e, nesse exercício de funções, eles não fizeram mais do que cumprir as suas funções e às vezes têm de usar violência porque existe violência da outra parte”, considerou.

Carlos Melo Alves assegurou que as situações em questão “não são daquelas em que existem agressões gratuitas”, insistindo que estão relacionadas “essencialmente com o exercício das funções, no terreno e dentro da esquadra”.

O advogado garantiu também que, nas filmagens das agressões divulgadas em grupos de WhatsApp, os seus constituintes não são vistos “a agredir quem quer que seja”.

A defesa adiantou que “em princípio” irá recorrer das medidas aplicadas aos seus clientes.

“Neste momento processual, o Ministério Público juntou os elementos de prova que entendeu. Alguns deles, nós entendemos que foram truncados no sentido em que havia outras provas que deviam ter sido juntas ao processo e o Ministério Público não juntou”.

“Houve falhas, e muitas falhas”, acrescentou.

No total, foram detidos 15 polícias e um civil, segurança de um espaço noturno, tendo um dos polícias sido libertado logo depois da detenção, que aconteceu na terça-feira, e o civil libertado na quinta-feira, depois de o tribunal de instrução ter aceitado o pedido de habeas corpus por detenção ilegal.
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