"Estamos a fazer de barbies". Cortes de água em Almada obrigam à reinvenção de rotinas

"Estamos a fazer de barbies". Cortes de água em Almada obrigam à reinvenção de rotinas

A normalidade ainda vai demorar a voltar pelo menos umas semanas, avisa a Câmara de Almada. Entre moradores e comerciantes, tenta-se dar a volta às torneiras sem água ou de fraca pressão.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Patrick Pahlke - Unsplash

Ana Monteiro teve de trazer de casa uma máquina de café mais pequena. Na sua cafeteria, no Funchalinho, a pressão da água não tem sido suficiente para por a funcionar a máquina de café normal, três vezes o tamanho da pequena.

“Estamos a fazer de barbies, a brincar com a casa das bonecas”, ironiza por causa da dimensão da máquina, de onde tira um café de cada vez.

O pequeno reservatório dessa máquina e o alguidar no lavatório são os dois recipientes visíveis com água neste estabelecimento.

“Vamos ver a que horas temos água para tirar café”, desabafa Ana Monteiro, mostrando desalento pela forma como tem sido afetada - faz menos refeições, por exemplo, e não tem casa de banho para os clientes.

A água deveria ter regressado às 6 horas aqui, depois de um corte noturno desde as 22 horas de quarta-feira em 15 localidades de Almada. Vários moradores dizem à RTP Antena 1 que a água ou não tinha voltado às 7 horas, ou tinha fraca pressão. A autarquia avisou que o regresso da água seria gradual.

Uma cliente deste café no Funchalinho confessava também que esta quinta-feira foi buscar “a maior panela” que tinha em casa. Isto porque começam a escassear os reservatórios de água, entre garrafas e alguidares.

Já Adelina Ribeiro explicava que, pouco antes das 7 horas, é como se não tivesse água. “Corre um fiozinho”, diz, pelo que não consegue tomar banho.

Conta que tem usado um furo, aberto há dois ou três anos, de onde tira água não potável. Utiliza a rede pública nos últimos dias apenas para fazer comida e para beber.
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