Ex-mineiros de Argozelo recebem indemnizações aguardadas há 25 anos
Cerca de 200 trabalhadores das minas de Argozelo, Vimioso, começaram a receber as indemnizações pela perda dos postos de trabalho, 25 anos depois da desactivação das minas.
O anúncio foi feito pelo ex-presidente da junta de freguesia, Francisco Lopes, que protagonizou, há quase uma década, a polémica em torno da perigosidade das minas desactivadas e a luta pelos direitos dos ex-trabalhadores.
Segundo o ex-autarca, os cerca de 200 ex-mineiros da Minargol-Complexo Mineiro de Argozelo, SA, começaram a receber hoje por correio os cheques de pagamento de salários e indemnizações em atraso.
A cada trabalhador coube um valor próximo de mil euros, sendo o montante global das indemnizações e salários de duzentos mil euros.
Os cheques estão a motivar "festa redobrada" em Argozelo, já que chegam no dia em que a localidade comemora o sexto aniversário da elevação a vila.
"O pagamento de salários e indemnizações aos ex-trabalhadores é para mim motivo de grande satisfação porque finalmente conseguimos que se fizesse justiça", afirma o ex-autarca.
Francisco Lopes encabeçou, enquanto autarca, o processo para que a dívida aos ex-mineiros fosse colocada à cabeça na lista de credores, no processo de falência da empresa.
O processo ainda decorre nos tribunais, 25 anos depois de o complexo mineiro ter sido desactivado.
"Vale a pena lutar", frisou o ex-autarca, que iniciou também o processo de requalificação ambiental das antigas minas, concluído recentemente.
As minas de Argozelo foram notícia nacional quando, durante a campanha para as eleições autárquicas de 1997, a candidatura da CDU denunciou a alegada perigosidade dos produtos ali abandonados a céu aberto e das escombreiras e respiradouros das minas.
O presidente da junta de freguesia da altura, Francisco Lopes, tentou resolver a situação negociando directamente com uma empresa a retirada dos produtos alegadamente tóxicos.
A operação que se destinava ao transporte para Estarreja foi abortada pela Inspecção-Geral do Ambiente, por ser ilegal.
O Ministério do Ambiente procedeu então à análise dos produtos e concluiu que o que se encontrava depositado nas minas eram "eram apenas resíduos industriais sem perigo para a saúde pública".
A polémica deu início ao processo de limpeza e requalificação da zona, que é agora um espaço de lazer da vila de Argozelo.