Ex-ministro defende em livro os rankings das escolas secundárias
O ex-ministro da Educação David Justino lança quinta-feira um livro onde defende os rankings das escolas como um "ponto de partida" para melhorar o desempenho, com o contributo da organização, liderança e qualificação dos professores.
Intitulada "No Silêncio Todos Somos Iguais", a obra, publicada pela Gradiva, resulta de uma análise dos resultados dos rankings das escolas - uma classificação feita com base nos resultados dos exames nacionais do 12º ano - nos últimos cinco anos.
A divulgação da classificação das escolas, públicas e privadas, é anualmente recebida com muita expectativa pelos estabelecimentos de ensino e pelos pais e alunos, mas tem gerado polémica porque alguns analistas consideram-na estigmatizante.
Em declarações à Agência Lusa, David Justino explicou que o objectivo do estudo evolutivo e comparativo que desenvolveu não é simplesmente defender os rankings, mas também "apresentar propostas para ir mais além".
Os rankings "são um bom ponto de partida para fazer uma análise comparada dos resultados com outros factores", nomeadamente o perfil do corpo docente e da escola.
Contra aqueles que afirmam que as escolas de elite e com mais dinheiro são as que melhores resultados têm, David Justino mostra, com base nos dados dos cinco últimos anos, que essa tem sido uma situação característica apenas nas grandes cidades como Lisboa e Porto.
Analisando os resultados de escolas do interior, mais isoladas, concluiu que muitas das zonas mais desfavorecidas têm obtido bons resultados ou progredido de más para melhores classificações.
Dá o exemplo de escolas em Melgaço, Canas de Senhorim e Vila Nova de Foz Côa, como casos paradigmáticos de um "trabalho excepcional", apesar de estarem localizadas em regiões pobres do país.
Na sua opinião, a dimensão das turmas, a relação entre professor e aluno e o custo por aluno "não são factores determinantes para os resultados".
"Não se trata realmente de uma questão de dinheiro. As escolas mais caras não são as melhores", sustentou o ex-ministro da Educação, acrescentando que essas apresentam custos entre 3.000 e 5.000 euros por aluno (esse custo varia normalmente entre os 2.000 e quase 10.000 euros).
O que importa realmente para os bons resultados das escolas, segundo o ex-governante, "é a organização, liderança, qualificação e motivação dos professores".
"As melhores escolas são as que melhoram", disse.
Na obra, argumenta ainda que os cidadãos têm o direito de aceder à totalidade da informação sobre os resultados dos exames do 12º ano, criticando aqueles que dizem que estas avaliações são um factor de selecção, exclusão e insucesso dos alunos.
"Porque é que (os exames) não poderão ser tomados como um instrumento adicional de avaliação externa (complementando a avaliação interna das escolas), de aferição (confrontando os resultados entre as várias escolas e professores) e de orientação das aprendizagens (detectando insuficiências, apontando caminhos alternativos, alertando para a necessidade de reforço de determinadas disciplinas)?", questiona.
Depois de dois anos e quatro meses na liderança do Ministério da Educação, David Justino critica que esta área tenha sido transformada "num campo de batalha", salientando que não tem ambições de voltar ao lugar, mas sim de "dar um contributo para a análise e reflexão em torno do problema educativo".
O lançamento do livro terá lugar no espaço cultural do centro comercial El Corte Inglês, pelas 18:00.