Ex-ministro Marçal Grilo defende menor intervenção do Governo e mais autonomia das escolas

Ex-ministro Marçal Grilo defende menor intervenção do Governo e mais autonomia das escolas

O ex-ministro da Educação Marçal Grilo defendeu hoje que o Governo deve intervir menos no sistema de ensino, dando às escolas mais autonomia para combater o insucesso e abandono, que classificou como "um dos maiores flagelos do país".

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"Precisamos de menos regulamentos, de menos instrumentos burocráticos e de mais responsabilidade e autonomia das escolas, dos professores e dos directores. Quanto menos regulamentação houver, melhor. Deixemos as escolas trabalhar", afirmou o actual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), que promove na próxima semana uma conferência internacional dedicada ao sucesso e insucesso escolares.

Num encontro com os jornalistas destinado a apresentar o programa da conferência, Marçal Grilo reivindicou um reforço da autonomia das escolas, dando o exemplo do Reino Unido, onde os estabelecimentos de ensino têm liberdade até para escolher os próprios professores.

A possibilidade de escolha da escola por parte das famílias deve igualmente "ser analisada e discutida" em Portugal, defendeu o responsável, ressalvando, contudo, tratar-se de "uma medida muito complexa".

Na conferência que vai realizar-se no início da próxima semana especialistas portugueses e estrangeiros vão reflectir sobre as causas do sucesso e insucesso escolares, tema tratado em seis projectos de investigação apoiados pela Gulbenkian.

O contributo das neurociências para o processo de aprendizagem ou a relação entre os recursos económicos investidos na Educação e o seu reflexo nos resultados dos alunos serão alguns dos temas abordados no encontro, que contará com a participação de personalidades como Maria José Nogueira Pinto, o cientista Alexandre Castro Caldas ou o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, Nuno Crato.

Segundo o investigador Manuel Vilaverde Cabral, comissário da conferência, "a ideia é ver o que pode estar antes do sistema educativo e para além dele na sociedade em geral para ajudar a compreender o relativo insucesso do grande esforço que o país fez nas últimas décadas" em termos de Educação.

"Esse grande esforço não tem produzido muitos resultados. O insucesso não é um problema exclusivamente escolar, pelo que não é jogando mais dinheiro que ele vai melhorar", sustentou.

Na conferência, cuja abertura será presidida pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, estará igualmente em análise o problema do abandono escolar, cujas "verdadeiras causas" Marçal Grilo considera serem ainda mal conhecidas.

Além de factores como os baixos rendimentos dos agregados familiares ou a falta de procura de mão-de-obra qualificada por parte do tecido económico, o ex-ministro da Educação considerou que "muitas famílias continuam a ver a escola como uma imposição".

"Muitas vezes o abandono é uma decisão tomada de uma forma muito consciente e antes dessa decisão há uma outra que é a da repetência sistemática. Há uma desistência pensada", alertou.

No ano passado, a Gulbenkian dedicou a conferência anual sobre Educação ao papel do sistema educativo no crescimento económico e no desenvolvimento sustentável dos países.

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