Exames nacionais. Partidos ponderam comissão de inquérito

Exames nacionais. Partidos ponderam comissão de inquérito

O BE lançou a proposta de abrir uma comissão de inquérito relativamente às falhas nos exames nacionais e o PCP e o PS já anunciaram que não se opõem.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Tiago Petinga - Lusa

O Bloco de Esquerda propôs a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar responsabilidades sobre o processo de classificação digital dos exames nacionais, após terem sido reportadas várias falhas.

O PCP já veio dizer que não se opõe e o PS não descarta a possibilidade de viabilizar uma comissão de inquérito. Já o PSD disse estar disponível para viabilizar audições parlamentares.

De acordo com a proposta do BE, Fabian Figueiredo quer que esta comissão analise as “decisões, contratações e responsabilidades na conceção e execução da classificação digital dos exames nacionais de 2025 e 2026, incluindo os efeitos da reorganização orgânica do Ministério da Educação, Ciência e Inovação nesse processo e as suas consequências para os alunos, designadamente no acesso ao Ensino Superior”.

O bloquista considera que a integridade, fiabilidade e confiança depositada no sistema público de exames e de acesso ao Ensino Superior está comprometida e acusa o Governo de “negação, desresponsabilização e recuo”.

O secretário-geral do PCP afirmou que os comunistas não se opõem à proposta do BE, mas defendeu que primeiro é preciso apurar responsabilidades políticas.

“Quem é que assume a responsabilidade política? Essa é a questão grossa. E a segunda, e não menos importante, talvez até mais decisiva, é como é que não há nenhum aluno que saia prejudicado deste processo. Que garantias é que o Governo dá que não há nenhum aluno que saia prejudicado deste processo?”, questionou Paulo Raimundo, que pediu ao Governo que deixe a atitude de “sacudir a água do capote e empurrar para os professores” responsabilidades que são suas.

O secretário-geral do PS não afasta a possibilidade de viabilizar uma Comissão de Inquérito a estes problemas, mas diz que para já os socialistas vão esperar pelas explicações adicionais do ministro da Educação.

José Luís Carneiro espera explicações urgentes do primeiro-ministro e avisa que avança com a Comissão Parlamentar se as explicações não forem válidas e colocarem em causa a fiabilidade e a confiança na avaliação das provas.

A Iniciativa Liberal não se pronunciou quanto à possível comissão de inquérito, mas perguntou ao ministro da Educação se está a ponderar adiar o calendário do acesso ao ensino superior.

“A Iniciativa Liberal é a favor da digitalização do processo de classificação, tal como a maior parte do setor educativo, nomeadamente o Conselho Nacional de Educação. No entanto, esta modernização não pode pôr em causa o rigor da avaliação, nem pode prejudicar profissionais, nem alunos”, pode ler-se numa pergunta enviada pela IL, através do parlamento, ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.

Depois de na sexta-feira ter sido divulgado pelo Governo que as falhas na avaliação eletrónica dos exames obrigaram a adiar o início da segunda fase, o partido liderado por Mariana Leitão quer que o Governo esclareça se “está a ser ponderado um adiamento da segunda fase para setembro”.

O PSD manifestou-se disponível para viabilizar audições parlamentares sobre os problemas nos exames nacionais, incluindo a do ministro da Educação, mas diz não se rever “na lógica de fazer política” do BE.

“Se o BE quiser ouvir o ministro, os responsáveis pelas empresas de informática, nós viabilizaremos todas as audições. Se o BE achar que é preciso uma comissão parlamentar de inquérito, um juiz, um procurador, um tribunal e Deus nosso senhor sobre o que aconteceu é, mais uma vez, uma lógica de fazer política com a qual nós não nos identificamos”, afirmou o líder da bancada social-democrata, Hugo Soares.

“Se há satisfação por parte do Governo ou nossa pelo que está a acontecer, claro que não. Nós queríamos que tivesse corrido tudo bem. Não correu, por vicissitudes várias, que têm sobretudo a ver com problemas técnicos e de matéria informática, mas foi a primeira vez e evidentemente que estão a tentar corrigir os problemas que ocorreram para que da próxima possa correr bem”, acrescentou.

Este ano, pela primeira vez, os cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram digitalizados e só depois distribuídos pelos professores para fazerem a correção. No entanto, a plataforma para a correção dos exames está em manutenção, o que impede os professores de terem acesso às provas.

Por este motivo, o calendário dos exames e a divulgação das notas já sofreu alterações, o que está a gerar indignação.
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