Exploração que produz meio milhão aves não deixa galinhas à vista
Quem chega à propriedade em Alenquer onde a Interaves produz meio milhão de aves por semana não vê qualquer frango ao ar livre e para ouvir um cacarejar é preciso vestir um uniforme de protecção da cabeça aos pés.
As explorações estão vedadas, para que não haja aproximação de aves domésticas, não há qualquer produção no exterior e cada trabalhador só é autorizado a trabalhar numa única exploração.
Estas e outras medidas de bio-segurança, como o controlo de todas as fases da produção, permitem à Interaves manifestar-se confiante, numa altura em que volta a falar-se da Gripe das Aves, detectada esta semana numa exploração em Inglaterra.
"Tudo é controlado de forma integrada, desde a matéria-prima, como os nutrientes que vão ser incorporados nas rações, até aos aviários e à chegada da carne ao consumidor", afirmou hoje à Lusa, Fernando Correia, administrador da empresa.
Nos aviários da Interaves, onde se produz meio milhão de aves por semana, entre frangos, codornizes e perus, vigoram as regras de bio-segurança impostas pela Direcção-Geral de Veterinária (a 22 de Outubro de 2005), após ter sido detectado noutros países o vírus da gripe das aves, disse por seu lado João Raposo, o veterinário responsável.
A Interaves tem mais de 500 trabalhadores que diariamente lidam com aves.
"Estes trabalhadores ocupam-se da vigilância da saúde animal, retiram aves mortas, fazem as camas (de casca de arroz) e vigiam os equipamentos da alimentação", precisou o veterinário.
Segundo João Raposo, já antes do aparecimento da Gripe das Aves a empresa tinha em vigor medidas de bio-segurança, porque "a principal preocupação é a segurança alimentar".
No entanto, quando o vírus foi identificado, as medidas de bio- segurança "foram intensificadas", frisou.
"Para impedir a entrada de microrganismos é feito um controle de insectos antes da entrada dos animais (higienização dos pavilhões) para que não haja transmissão às aves ou aos trabalhadores", acrescentou.
Na unidade de Alenquer, hoje visitada pela Lusa, há 6.700 frangos chamados "do campo" por serem criados em 12 semanas enquanto os outros necessitam apenas de seis.
à entrada do pavilhão, no qual só entra quem envergar um uniforme próprio, está fixada uma ficha do bando com o plano de desinfestação, desratizações, as vacinas administradas aos animais, as rações e, entre outros parâmetros, as análises à qualidade da água e do ar que respiram.
"Temos aqui o historial todo deste bando e o plano de controlo da produção e até temos amostras das rações, para que, se existir algum problema, possamos fazer as contra-análises", disse o veterinário.
"O meu objectivo é preservar ao máximo a saúde animal para garantir a segurança alimentar", sintetizou o técnico.
Depois de os animais estarem criados e serem enviados para o matadouro, "tudo é limpo e desinfectado no interior e no exterior das explorações, numa distância até 10 metros do pavilhão", assegurou.
"Produtor que não se preocupe com segurança alimentar não tem futuro e esta é uma questão que se estende a todo o sector", disse Fernando Correia, que também é dirigente de uma das maiores associações de criadores de aves em Portugal, a Socampestre.
O responsável considerou "diminuta" a possibilidade da chegada a Portugal do vírus H5N1 da Gripe das Aves, esta semana detectado numa exploração no Reino Unido.
"Portugal é um país `sui generis` no que toca à saúde avícola, muito por causa da situação geográfica, que permite uma menor passagem de aves migratórias, e por causa das condições climatéricas substancialmente diferentes", referiu ainda Fernando Correia.
O vírus H5N1 da Gripe das Aves foi confirmado sábado numa criação de perus do leste de Inglaterra, onde deverão ser abatidas 159 mil aves nos próximos dias.
As autoridades inglesas informaram o Governo português de que há 60 trabalhadores, cujas nacionalidades ainda se desconhecem, que estiveram em contacto com as aves e que estão já a ser tratados com medicamentos anti-virais.
A criação de perus pertence a uma empresa internacional, que está sedeada em Inglaterra e que emprega, além de cidadãos ingleses, polacos, romenos e portugueses.