Falta de acordo da vereação adia contrato bancário para sanear contas
O presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, revelou hoje que foi adiado o debate sobre a proposta de contrato bancário ("leaseback") para sanear as contas da autarquia, até que exista um consenso com a oposição.
Num intervalo da reunião de Câmara de hoje, o autarca explicou que o debate foi adiado para outra ocasião devido à falta de acordo entre os eleitos do PSD, PS e CDU.
Para a reunião de hoje chegou a ser agendado o debate sobre o "leaseback", mas o PSD, que tem maioria relativa no executivo, decidiu retirar esse ponto já que as reuniões entre as forças políticas ainda estão a decorrer.
"Para já não tenho mais nenhuma solução" para resolver os problemas de tesouraria, afirmou Moita Flores, que disse estar aberto a outras propostas.
De acordo com uma auditoria encomendada pelo executivo social- democrata (que sucedeu ao PS nas últimas eleições autárquicas), a dívida total da Câmara atinge os 70 milhões de euros, a maior parte relativa a dívidas de curto-prazo.
Como forma de resolver esse passivo, Moita Flores defende a realização de um contrato de "leaseback" com entidades bancárias, no qual a autarquia "entrega valor patrimonial" calculado em sete milhões de euros e recebe em troca um empréstimo de 17,5 milhões de euros.
Contactado pela agência Lusa, o vereador socialista Rui Barreiro considerou que o presidente da Câmara está a utilizar uma "estratégia de vitimização", porque não tem viabilizado as propostas da oposição.
O PS reclama uma alteração do concurso, dos prazos de pagamento previstos (a 30 anos) e a listagem dos edifícios dados como garantia para os bancos.
Perante a falta de "vontade política" para resolver este problema, Rui Barreiro considera que o leaseback "deixou de ser prioritário" para Moita Flores.
No entanto, apesar do impasse em relação ao contrato financeiro, Rui Barreiro não vê razões para que "o orçamento não seja discutido" dentro do executivo.
Por seu turno, Luísa Mesquita (CDU) garante a sua abertura às propostas de Moita Flores, desde que sejam enquadradas numa "estratégia global" de amortização da dívida a curto, médio e longo- prazo.