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Farmacêuticos especialistas em análises clínicas reduzidos a um terço no SNS

Farmacêuticos especialistas em análises clínicas reduzidos a um terço no SNS

O Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF) alertou hoje que o SNS dispõe apenas de um terço desses profissionais especialistas em análises clínicas do que tinha há 20 anos, alegando que as vagas disponíveis são utilizadas para contratar médicos.

Lusa /
Reuters

"Nos últimos 20 anos, os farmacêuticos de análises clínicas ficaram reduzidos a um terço do que eram", constatou o SNF num documento a que a agência Lusa teve acesso, que salienta que, à medida que os farmacêuticos especialistas se vão reformando, as unidades locais de saúde (ULS) substituem essas vagas por lugares para médicos.

"Nós estamos a ser extintos nas análises clínicas. Já somos poucos e vamos ser cada vez menos", realçou o sindicato, para quem a situação é preocupante, tendo em conta que 70% a 80% das decisões clínicas assentam em exames laboratoriais, que são uma "peça central" da medicina moderna, "embora muitas vezes invisível".

Segundo o SNF, a falta de concursos públicos, associada a "condições remuneratórias desajustadas" do grau de diferenciação profissional e as limitações funcionais, têm contribuído para esta redução progressiva do número de farmacêuticos especialistas em análises clínicas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

As decisões de contratação na área laboratorial "tendem a privilegiar o reforço do quadro médico e a dispensar farmacêuticos, não por insuficiência técnica, mas porque a arquitetura de poder condiciona as opções de contratação e protege equilíbrios corporativos instalados", lamentou a estrutura sindical.

O SNF referiu também que, nos serviços laboratoriais do SNS, os cargos de direção e os centros de decisão "permanecem fortemente concentrados na profissão médica", uma "centralização de poder institucional" que o sindicato alega que tem tido consequências práticas.

"Em vários contextos, os farmacêuticos são impedidos de exercer plenamente funções para as quais são preparados e possuem competência reconhecida", adiantou a estrutura sindical, apontando exemplos da exclusão de escalas de urgência e da proibição de realizar exames diferenciados, de elaborar ou assinar relatórios, entre outros.

Na prática, o SNF considerou que a competência dos farmacêuticos é utilizada "quando ela é conveniente, mas a mesma é negada quando implica partilha de poder, reconhecimento profissional ou reposicionamento hierárquico".

Além disso, segundo o sindicato, a formação especializada de quatro anos em análises clínicas -- a chamada residência farmacêutica que abrange cerca de 100 profissionais este ano -- está a enfrentar "limitações graves".

"A formação dos residentes farmacêuticos tem sido dificultada em vários contextos, obrigando à reorganização de estágios e criação de soluções alternativas para garantir a qualidade técnico-científica da residência", alertou o SNF, adiantando que, em alguns casos, foi mesmo necessário deslocar os residentes para outras instituições ou criar percursos formativos complementares assegurados pelos próprios farmacêuticos especialistas.

O SNF adiantou ainda que o Colégio de Especialidade de Patologia Clínica da Ordem dos Médicos tem emitido orientações que "promovem a recusa de colaboração no processo formativo da residência farmacêutica, assumindo-se como um bloqueio corporativo explícito".

"Alguns profissionais que hoje recusam colaborar com a residência farmacêutica, beneficiaram durante a sua formação (internato médico) da transmissão de conhecimento, orientação de trabalhos científicos e acompanhamento da prática laboratorial especializada, precisamente por parte de farmacêuticos especialistas", considerou o sindicato.

À Lusa, a presidente do sindicato adiantou que já foram pedidas reuniões à Administração Central do Sistema de Saúde e à Direção Executiva do SNS sobre as dificuldades registadas na residência farmacêutica, mas "continua tudo na mesma".

"Não há respostas. Não vemos uma solução à vista", lamentou Helena Tertuliano.

 

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