"Fast food" e alimentos ultraprocessados nas dietas de 44,7% das crianças

"Fast food" e alimentos ultraprocessados nas dietas de 44,7% das crianças

“O consumo deste tipo de alimentos é um hábito diário para 5,3 por cento das crianças dos seis aos 14 anos, enquanto 7,1 por cento fazem-no entre quatro e seis vezes por semana e 32,3 por cento entre uma e três vezes por semana”, reporta o INE.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Daniel Becerril - Reuters

O consumo regular de refeições da denominada “fast food” ou de alimentos ultraprocessados é, em Portugal, uma realidade para 44,7 por cento das crianças dos seis aos 14 anos. Para 5,3 por cento, “é um hábito diário”. Os números, relativos ao quarto trimestre do ano passado, são esta segunda-feira revelados pelo Instituto Nacional de Estatística.

Segundo os dados do Módulo de Saúde das Crianças do Inquérito Nacional de Saúde, “mais de metade das crianças dos seis aos 14 anos”, ou seja, 51,1 por cento, “consomem refeições fast food ou alimentos ultraprocessados menos de uma vez por semana e 3,6 por cento não os consomem de todo”.

Todavia, sublinha o INE, “o consumo este tipo de alimentos é um hábito diário para 5,3 por cento das crianças dos seis aos 14 anos, enquanto 7,1 por cento fazem-no entre quatro e seis vezes por semana e 32,3 por cento entre uma e três vezes por semana”.Oitenta e uma mil crianças ingerem, todos os dias, refrigerantes açucarados e 49 mil consomem refeições fast food ou alimentos ultraprocessados.


Os refrigerantes açucarados são diariamente consumidos por 8,9 por cento das crianças da faixa etária em causa e muito frequentemente – quatro a seis vezes por semana por 6,2 por cento.

“A maior parte das crianças, contudo, consome estas bebidas menos de uma vez por semana (33,6 por cento) ou não consome de todo (19,4 por cento)”, contrapõe o relatório.

O consumo diário de fruta constitui um hábito para 68,6 por cento das crianças, sobretudo dos seis aos nove anos (73,3 por cento).“Por outro lado, 16,3 por cento das crianças dos seis aos 14 anos consomem fruta entre quatro e seis vezes por semana, 11,2 por cento entre uma e três vezes por semana e 3,4 por cento menos de uma vez por semana ou nunca”.


“O consumo regular de proteína animal ou vegetal é uma prática comum para a maioria das crianças destas idades (68,0 por cento), mais elevada para as crianças do sexo masculino (69,7 por cento, que compara com 66,1 por cento no sexo feminino). Para 21,5 por cento das crianças o consumo de carne, peixe ou alimentos equivalentes vegetarianos ocorre habitualmente entre quatro e seis vezes por semana”, lê-se no documento do instituto.

Constatou-se, no âmbito deste inquérito, um “consumo de legumes e saladas mais baixo do que nos casos da fruta e da proteína animal ou vegetal, com apenas 44,1 por cento das crianças a fazê-lo diariamente, superior para as crianças do sexo feminino (46,8 por cento) e inferior para as do sexo masculino (41,7 por cento), e superior para o grupo etário dos seis aos nove anos, com 45,8 por cento, que compara com 42,8 por cento dos dez aos 14 anos”.

Os legumes e saladas compõem os pratos de 22,2 por cento das crianças entre quatro e seis vezes por semana, de 20,2 por cento “entre uma e três vezes por semana” e de 13,0 por cento “menos de uma vez por semana ou nunca”.A prevalência da obesidade abrange “12,9 por cento das crianças dos cinco aos 14 anos. Neste grupo etário, 22,6 por cento têm excesso de peso”.

O Módulo de Saúde das Crianças revela que 2,3 por cento dos menores com menos de 15 anos idade gozam de “um estado de saúde referido como bom ou muito bom.

Mais de 88 por cento “têm uma saúde dos dentes e gengivas avaliada como boa ou muito boa” e “96,8 por cento escovam os dentes diariamente”.
Caixa lateral: No quarto trimestre do ano passado, havia registo de 58 mil crianças cegas ou com problemas de visão e de 13 mil com perda auditiva.

Quase 11 por cento das crianças dos seis aos 14 anos “têm dificuldades graves em concentrar-se, lembrar-se ou tomar decisões adequadas à idade”. Em concreto, “as perturbações de défice de atenção ou hiperatividade afetam 6,8 por cento, com um impacto superior a nove por cento a partir dos seis anos”.“87,3 por cento das crianças com menos de 15 anos consultaram profissionais de saúde − destas, 83,0 por cento fizeram-no pelo menos uma vez por motivos preventivos”.

“Os distúrbios da fala e da comunicação atingem 5,9 por cento das crianças, com maior impacto nas dos seis aos nove anos”.

As alergias, refere ainda o INE, “são a doença que mais afeta a população infantil com menos de 15 anos (14,9 por cento), com uma abrangência que aumenta com a idade” – “4,6% têm asma”.

No período em análise, “44,7 por cento das crianças dos seis aos 14 anos faltaram à escola por motivo de doença, acidente ou outro problema de saúde − destas, a maior parte perdeu entre um e três dias de escola”.
Tópicos
PUB