Fecho da Maternidade de Barcelos agravou problema da falta de obstetras no Centro Hospitalar Alto Minho

Fecho da Maternidade de Barcelos agravou problema da falta de obstetras no Centro Hospitalar Alto Minho

O Centro Hospitalar do Alto Minho é um dos três na região Norte impedidos de realizar abortos já a partir de domingo devido ao elevado número de objectores de consciência, mas também à falta de obstetras, situação agravada pelo encerramento da maternidade de Barcelos.

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Segundo disse à Lusa fonte da ARS/Norte, o problema do Centro Hospitalar do Alto Minho (CHAM), em Viana do Castelo, reside tanto na objecção de consciência dos médicos que ali prestam serviço, como na escassez de especialistas, situação agravada com o encerramento, há um ano, da maternidade de Barcelos e consequente encaminhamento de muitas grávidas para Viana do Castelo.

A fonte admitiu que a situação do CHAM poderá ficar resolvida até ao final deste mês com a contratação de novos obstetras, não exclusivamente para a IVG, mas também para as consultas e todas as operações "normais" do serviço.

Até lá, as mulheres serão encaminhadas para o Hospital de S.Marcos, em Braga.

Devido à falta de especialistas, o CHAM tem sido obrigado a recorrer a obstetras reformados, que ali trabalham em "part-time", solução encontrada para assegurar o funcionamento do serviço 24 horas por dia.

Estes clínicos são contratados como tarefeiros, trabalham à hora e ajudam a preencher as equipas para manter a maternidade aberta 24 horas por dia.

Os outros dois hospitais que não vão realizar abortos a partir de domingo, dia em que entra em vigor a nova lei da interrupção da gravidez, são o Hospital Pedro Hispano (Matosinhos) e o Hospital de Santo António.

"Ainda não temos condições para iniciar as consultas prévias obrigatórias", disse fonte da administração do hospital de Santo António.

A fonte referiu que, embora estando previsto o início destas consultas para esta semana, o processo sofreu atraso, escusando-se a especificar as razões dessa demora.

No Hospital Pedro Hispano (HPH), de Matosinhos, a administração vai propor ainda hoje à ARS/Norte uma solução para ultrapassar as dificuldades levantadas pelo elevado número de objectores de consciência, 14 num total de 15.

O presidente da administração, Nuno Morujão, disse à Lusa que vai propor a afectação do único médico não objector às consultas obrigatórias antes e após a IVG.

A interrupção da gravidez será feita, caso vingue a proposta, pelos quatro médicos não objectores do Centro Hospitalar Póvoa/Vila do Conde.

O Pedro Hispano é a unidade para onde Vila do Conde/Póvoa encaminha habitualmente os casos mais complexos, mesmo na área de obstetrícia.

Nuno Morujão disse ainda que a proposta à ARS/Norte passa por manter no Pedro Hispano as interrupções de gravidez determinadas por razões de saúde da mãe ou malformação do feto, que já eram possíveis até às 12 semanas.

Os restantes estabelecimentos de saúde oficialmente reconhecidos já estão a dar resposta aos pedidos de IVG desde dia 09.

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