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Fertagus espera acelerar comboios depois de junho após subida galopante de afrouxamentos

Fertagus espera acelerar comboios depois de junho após subida galopante de afrouxamentos

As reduções de velocidade dispararam na Fertagus antes de reforçada a oferta em Setúbal. No final de 2024, quando a empresa mudou os horários, os comboios tinham afrouxamentos em sete troços e a situação piorou em 2025. IP rejeita ligação com as mudanças, Governo e Fertagus não se pronunciam sobre esta questão específica.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 /

Os comboios sobrelotados não são o único problema da Fertagus. Se a transportadora espera aliviar esse constrangimento com duas novas carruagens no próximo ano, os atrasos são apontados à IP - Infraestruturas de Portugal: cerca de um em cada três comboios são uma consequência de afrouxamentos.

A IP e a Fertagus estão confiantes que as obras em curso no primeiro semestre deste ano vão permitir levantar as reduções de velocidades, com a Fertagus já a apontar para o calendário.

“Com base na informação partilhada pela IP, é nossa expectativa que, a partir de junho de 2026, o esforço em curso para acelerar a empreitada de substituição de carril, soldaduras e regularização de barra longa permita o levantamento progressivo das atuais limitações temporárias de velocidade”, afirma a Fertagus por escrito à RTP Antena 1. 

A IP refere que estão a ser substituídos 12 quilómetros de carril ao longo da Linha do Sul e que incluem troços afetados por afrouxamentos. Acrescenta que também está prevista a substituição de “componentes de aparelhos de via e a estabilização da plataforma de via junto ao viaduto de Coina”.

“O levantamento progressivo das limitações de velocidade será concretizado à medida que avancem as intervenções de substituição de carril”, assegura a IP à rádio pública. Os avanços dependem da disponibilidade de materiais e de intervalos para realizar os trabalhos, sublinha a gestora ferroviária.
Afrouxamentos ultrapassaram nove quilómetros

Os afrouxamentos têm-se alastrado ao longo dos últimos anos na Linha do Sul, afetando em particular a via por onde passam em simultâneo os comboios de longo curso da CP e da Fertagus. 

O ano de 2021 foi o último a terminar com um registo limpo. Desde então, foram impostas mais reduções de velocidade, com o auge a acontecer no ano passado – foram registados 9.380 metros de afrouxamentos espalhados por 10 troços.

 


Se em 2022 e 2023 havia apenas um troço afetado, há um salto em 2024: passaram a existir sete troços com reduções de velocidade, em 1.600 metros. 

Nesse ano, a 15 de dezembro, a Fertagus mudou os horários dos comboios para reforçar a oferta em Setúbal, de forma a sair da cidade sadina um comboio a cada vez 20 minutos. A sobrelotação de carruagens ficou mais evidente, juntando-se os atrasos agravados pelos afrouxamentos.

Se mais comboios têm feito distâncias maiores, entre Lisboa e Setúbal, atravessando mais troços afetados, isso afeta o cumprimento de horários
. A RTP Antena 1 questionou então especificamente a Fertagus e o Ministério das Infraestruturas se consideravam que havia as condições ideias para avançar com a mudança de horários no final de 2024, tendo em conta que já havia sete troços com afrouxamentos. 

A Fertagus optou por não responder a esta questão, enquanto o Governo remete para as respostas da IP: “Remetemos para esses esclarecimentos, não havendo mais nada a adiantar”. 

O Governo considerou que o aumento de horários na Península de Setúbal era uma “consequência do desígnio do Governo de trazer mais pessoas para os transportes públicos, nomeadamente para o transporte ferroviário”. Referia que 14 estações ganhavam com o aumento de horários, “decorrente do alargamento do contrato de concessão da Fertagus até 31 março de 2031”. 

Com o agravamento em 2025, a IP rejeita qualquer ligação com as mudanças no final de 2024: “Não é possível estabelecer uma correlação entre os afrouxamentos registados e as alterações de horários”.
E agora? Menos de três quilómetros de afrouxamentos
Nas atualizações que vão sendo feitas da tabela de afrouxamento, a RTP Antena 1 apurou que, a 30 de março de 2026, existiam 2.780 metros em que os comboios deviam circular a menos de 30 quilómetros por hora (km/h). 

O troço mais extenso tinha 900 metros, inserido na via entre as estações do Pragal e de Corroios. A IP garante que esse afrouxamento foi levantado no dia 31 de março. Atualizava que, à data de 2 de abril, existia um total de 2.680 metros de afrouxamentos.

A conclusão dos trabalhos no terreno, sobretudo no troço Alvito / Pragal / Pinhal Novo, vai permitir, “sempre que possível, repor as velocidades previstas na Tabela de Velocidades Máximas”, aponta a Fertagus – ficando por esclarecer qual a previsão concreta, porque não é expectável que os comboios urbanos cheguem a velocidades superiores a 130 km/h, como está previsto em alguns troços.

A eliminação progressiva das limitações “deverá traduzir-se numa melhoria significativa da regularidade e pontualidade do serviço”, acrescenta a transportadora detida pelo grupo Barraqueiro. 
Indisposições nos comboios aumentam

Expectante com as obras em curso, a Fertagus dá alguns números que mostram a dimensão dos atrasos. Em 2023, foram registados um total de 53.376 minutos de atraso (14.677 comboios afetados); em 2024 foram 118.246 minutos de atraso (55.123 comboios afetados); em 2025 foram 142.039 minutos de atraso (54.231 comboios afetados).

Cruzando estes dados com os relatórios e contas da empresa, por exemplo em 2024, os atrasos causados por afrouxamentos resultaram em 51.479 minutos de atraso, 44% do total.

Outro fator, menos significativo, é as “doenças súbitas”, isto é, situações em que os passageiros se sentem mal e os comboios são obrigados a parar. Em 2025, registaram-se 258 ocorrências deste género, um valor recorde desde que este número aparece nos relatórios da empresa.




Realçando que “não são novidade”, a Fertagus não faz qualquer relação com os comboios sobrelotados. Justifica à rádio RTP Antena 1 que “muitas das situações ocorrem no período da manhã e devem-se a quebras de tensão e de açúcar, muitas vezes ocasionadas por uma alimentação incorreta (por exemplo, por não se ter tomado o pequeno-almoço)”.

Em 2023 houve 184 ocorrências deste género, descendo para 168 no ano seguinte antes de subir para 258 indisposições em 2025.

No ano passado, segundo a Fertagus, as doenças súbitas afetaram 568 comboios e geraram 6.404 minutos de atraso, numa média superior a 11 minutos.

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