Fornos de Algodres saiu à rua em defesa do tribunal

Fornos de Algodres saiu à rua em defesa do tribunal

Fornos de Algodres, 03 mar (Lusa) - A Câmara Municipal de Fornos de Algodres promoveu hoje uma manifestação pública pela manutenção do tribunal, que juntou várias centenas de pessoas, e o seu presidente prometeu encetar outras formas de luta pela continuidade do serviço.

Lusa /

Durante a ação de protesto realizada durante cerca de uma hora em frente do edifício do tribunal de Fornos de Algodres, com a presença de habitantes, autarcas e políticos, o presidente da Câmara Municipal, Manuel Fonseca (PS), anunciou a possibilidade de a autarquia avançar com uma providência cautelar e com uma ação popular.

"Tudo isso vamos fazer", assegurou o autarca aos jornalistas, deixando claro que "todas as formas de luta são possíveis" para travar a decisão do Ministério da Justiça de encerrar o tribunal.

Pelos dados que possui, em 2013, o movimento judicial foi "superior àquele que se diz", apontando que o número de processos "é superior aos 250".

O autarca sublinhou que aquele serviço deve continuar aberto, alegando que, fechando, a população do concelho terá que se deslocar aos concelhos vizinhos de Celorico da Beira e de Gouveia, situação que originará custos suplementares.

"Como sabem, não há carreiras públicas [de transportes] de maneira a que as pessoas possam ir a Celorico ou a Gouveia. É essencial que este serviço se mantenha em Fornos. (...) Vamos lutar até ao fim, de maneira a que Fornos continue a ter o seu tribunal", declarou.

Durante a ação de protesto, realizada debaixo de chuva, os manifestantes cantaram a canção de intervenção Grândola Vila Morena e o hino nacional.

Também gritaram palavras de ordem como "O povo unido jamais será vencido", "Queremos o tribunal" e "A luta continua, ministra para a rua".

Junto do edifício do tribunal colocaram também um grande cartaz com a mensagem: "Adeus ò vila de Fornos, pequenina metes graça. Sr.ª ministra venha para Fornos morar, a renda do tribunal é de graça".

"Se nos levam daqui o tribunal, a vila fica uma quinta e as pessoas deixam de apresentar queixas porque têm que se deslocar para Celorico da Beira ou Gouveia", disse à agência Lusa Arminda Rodrigues, 70 anos, residente no concelho de Fornos de Algodres.

Outro habitante, Porfírio Paraíso, de 55 anos, alertou que a deslocação para fora do concelho será "onerosa" para os habitantes, porque "não existem transportes públicos".

Já o empresário Paulo Menano, que possui um restaurante na vila, disse à Lusa que com o encerramento do tribunal irá perder "sete mil euros por ano", visto que fornece diariamente refeições a magistrados e funcionários.

O diploma regulamentar da Reorganização Judiciária prevê o encerramento de 20 tribunais em todo o país, onde se incluem os de Fornos de Algodres e de Mêda, no distrito da Guarda, e a conversão de 27 tribunais em secções de proximidade, nove das quais com um regime especial que permite realizar julgamento.

 

 

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