Funcionários e dirigentes do PCP convergem para a sede do partido

Funcionários e dirigentes do PCP convergem para a sede do partido

A morte de Álvaro Cunhal emocionou os funcionários e dirigentes do PCP que interromperam o feriado lisboeta de hoje para se deslocarem à sede nacional comunista, em Lisboa.

Agência LUSA /

"Toda a gente veio trabalhar por este motivo. Por causa do nosso querido camarada. Estamos todos tristes, é uma grande perda não só para o partido, mas a nível nacional e internacional", refere, emocionada, Palmira, funcionária da livraria da sede do PCP, desde há quase vinte anos.

"Ele conversava muito connosco, contava-nos histórias do seu passado, era uma pessoa muito querida, gostávamos muito dele", disse, destacando que o antigo secretário-geral do PCP "era uma pessoa muito simples, que até comia ao balcão com os outros camaradas".

De todos os livros expostos na pequena livraria da sede comunista, os de Álvaro Cunhal e de Manuel Tiago, pseudónimo literário do ex-secretário-geral do PCP, "são sempre os que mais se vendem", principalmente o "Até amanhã camaradas", que recentemente foi adaptado para filme.

Além dos dirigentes da comissão política e dos funcionários que trabalham na sede do PCP, os poucos militantes que se deslocaram de manhã à Soeiro Pereira Gomes ouviam em silêncio e consternados as notícias sobre a morte de Cunhal transmitidas pelas televisões.

Domingos Abrantes, José Casanova, director do "Avante!", Jorge Cordeiro, da comissão política, e Rúben de Carvalho, cabeça de lista da CDU à presidência da câmara de Lisboa, foram alguns dos dirigentes que passaram de manhã pela sede do PCP.

Esperando receber outros militantes por causa da morte de Álvaro Cunhal, o PCP disponibilizou um livro de condolências, colocado na sala de convívio da sede, junto da bandeira nacional e da bandeira do PCP.

Um dos habituais frequentadores da sede comunista, Dias Lourenço, marcou hoje presença na Soeiro Pereira Gomes, de gravata preta também pela morte do ex-primeiro- ministro Vasco Gonçalves.

O antigo preso político, que escapou da fortaleza de Peniche na década de 60 atirando-se ao mar, lembrou que Cunhal "foi um construtor do PCP" e que "deu sempre uma contribuição excepcional para o PCP não perder o pé".

"Tenho 90 anos, vivemos épocas marcantes em comum.

(...) Cunhal foi um formador, um ideólogo de valor, sempre altamente estimado também no movimento comunista internacional", frisou.

Outro habitual frequentador da sede, António Tereso, 77 anos, emocionou-se igualmente à lembrança de Álvaro Cunhal, "homem sério" de quem procura retirar o exemplo.

"Álvaro Cunhal foi um patriota, enquanto o Mário Saores foi o primeiro contra-revolucionário após o 25 de Abril", disse, admitindo alguma "revolta" por "comparações que alguns fazem na televisão".

Por seu lado, o deputado Miguel Tiago, da JCP, considerou que a morte de Cunhal "é um empobrecimento da vida nacional" destacando que o seu exemplo "é uma responsabilidade" para os que ficam.

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