Gangue que "facturou" um milhão de euros começa a ser julgado quinta-feira no Porto

Porto, 30 Dez (Lusa) - O Tribunal de São João Novo, no Porto, inicia quinta-feira o julgamento de doze acusados do roubo de máquinas Multibanco, assalto a carrinhas de valores e roubo de veículos através de "carjaking", num valor superior a um milhão de euros.

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O Ministério Público (MP) fixou em 1.104.415 euros e 64 cêntimos o montante global que o grupo alegadamente lucrou com aquela actividade criminosa, centrada no Litoral Norte de Portugal.

Os arguidos, com idades entre 25 e 40 anos, estão acusados da prática, em co-autoria material e em concurso real, de 69 crimes, a maioria na forma consumada, em 2004 e 2005.

São-lhe imputados crimes que vão desde a associação criminosa, à posse de arma proibida, roubo e furto qualificado, nas formas consumada e tentada, bem como falsificação de documentos.

Em meados de 2005, juntou-se ao gangue o arguido José Barbosa, acabado de cumprir pena por outros delitos, que enfrenta agora 44 acusações, refere o MP.

O roubo de um carrinho de compras de hipermercado, onde um funcionário de uma empresa de transporte de valores levava sacos contendo quase 100 mil euros (95.939,92 euros), integra o leque de crimes imputados ao grupo.

O carrinho "milionário" foi roubado à 01:25, de 13 de Setembro, no parque de estacionamento inferior do Hipermercado Continente da Senhora da Hora, Matosinhos, concelho de residência da maioria dos arguidos.

Os assaltantes, a maioria dados como vendedores de automóveis, actuaram encapuzados e armados e chegaram a disparar sobre um segurança do hipermercado, que não foi atingido.

Numa actividade intensa, com roubos que em algumas alturas atingiram o ritmo bidiário, este gangue chegou a encurralar e a metralhar viaturas de transporte de valores (VTV) em auto-estradas ou nos seus acessos, de acordo com as descrições dos autos.

Às 23:54, de 08 de Dezembro de 2005, atingiram a tiro uma VTV que circulava na A3, perto de Braga, quando o seu condutor tentou fugir, em macha-atrás, ao bloqueio que lhe fizeram com um automóvel Subaru Impreza, roubado em Esmoriz, Ovar.

Apesar da audácia do ataque, os assaltantes acabaram por fugir sem roubar os 278,9 mil euros que a viatura de valores levava.

De outra VTV, assaltada às 02:00 de 09 de Outubro de 2005, na Maia, levaram 268,4 mil dos 634,6 mil euros que ali eram transportados.

Começaram por bloquear a saída da carrinha, no nó do IC24 para a EN14, metralharam-na sucessivamente até quebrarem a blindagem, obrigando os tripulantes a sair e abrir-lhe as portas traseiras, onde se acondicionavam vários sacos com dinheiro.

Rebentar montras de bancos e levar as máquinas Multibanco, ou dar a escolher a automobilistas entre a entrega dos seus carros ou levarem um tiro, são outras práticas criminosas atribuídas ao gangue.

Entre os roubos de máquinas Multibanco, sobressai, pelo valor envolvido (24,9 mil euros), o concretizado na Estela, Póvoa de Varzim, pelas 04:24 de 31 de Março de 2005.

Para roubarem a máquina Multibanco, que se encontrava na loja de conveniência de um posto de abastecimento de combustíveis, rebentaram a porta do estabelecimento à marretada.

A máquina foi levada numa carrinha que tinham roubado na madrugada da véspera, pelo método de "carjaking" (roubo de carros com intimidação dos condutores), a um distribuidor de jornais que se dirigia à loja de conveniência de um posto de combustíveis de Moreira da Maia.

O lesado implorou que não lhe levassem a carrinha - que viria a ser recuperada em 29 de Abril seguinte - mas com isso só conseguiu enfurecer os assaltantes, que o agrediram à coronhada.

Os membros do grupo, a maioria em prisão preventiva e um deles já a cumprir pena efectiva, distribuíam-se em subgrupos e cada um tinha funções "perfeitamente definidas e delimitadas", refere o MP.

Os veículos furtados ou roubados por "carjaking" eram usados noutros crimes ou falsificavam-lhe os elementos identificadores para os poderem introduzir no circuito comercial, precisa a acusação.

Num "recuo" (garagem) que tinham alugado em Oliveira do Douro, Gaia, os arguidos escondiam os automóveis roubados, armas de fogo, gorros, ferramentas e outros objectos necessários.

Oito dos 12 arguidos foram detidos, em 26 e 27 de Janeiro do ano passado, numa operação da Polícia Judiciária (PJ) do Porto que se saldou também pela apreensão de 17 veículos, dez mil euros em dinheiro, armas de fogo e, entre outro material, picaretas, machados e marretas.

Nove pessoas e entidades formularam pedidos de indemnização cível.

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