Garcia Pereira candidata-se às presidenciais

Garcia Pereira candidata-se às presidenciais

O dirigente do PCTP/MRPP António Garcia Pereira anunciou hoje que vai candidatar-se novamente à Presidência da República, contra Mário Soares e Cavaco Silva, argumentando que se um dos dois ex-primeiros- ministros for eleito será "o desastre total".

Agência LUSA /

Perante cerca de 70 apoiantes, na Casa do Alentejo, em Lisboa, Garcia Pereira apontou o candidato apoiado pelo PS à Presidência da República, Mário Soares, e o possível candidato Cavaco Silva como os responsáveis pela "crise gravíssima" em que se encontra o país.

"É contra eles, como os grandes dirigentes políticos da miséria, da fome, do desemprego para o povo português e a grande perda da independência para o nosso país, é contra a sua política que o mesmo povo português se tem e se deve erguer", declarou, argumentando que a vitória de Soares ou de Cavaco será "o desastre total".

"Esta gente expropriou-nos dos nossos sonhos. E agora quer também expropriar-nos da própria República" e "representa exactamente o mesmo tipo de golpes palacianos e oportunistas que liquidam a democracia", acrescentou.

O dirigente do PCTP/MRPP acusou Cavaco Silva de pretender "surgir de entre as brumas do nevoeiro" como "um salvador da pátria" e, numa referência ao ditador António Salazar, completou que o ex-líder do PSD pretende emergir "um pouco mais a sul do que Santa Comba Dão".

Quanto a Mário Soares, Garcia Pereira acusou-o - bem como a Manuel Alegre - de avançar "para impedir uma candidatura democrática e patriótica que poderia e deveria ter surgido", que depois esclareceu ser a do ministro dos Negócios Estrangeiros e fundador do CDS-PP Freitas do Amaral.

"Era bom que essa candidatura tivesse surgido.

Considero que seria boa", disse o advogado, ressalvando, no entanto, tratar-se de uma posição pessoal.

Garcia Pereira distinguiu-se de outros dois candidatos à esquerda, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, defendendo que estes "irão desistir a favor de Soares logo na primeira volta ou votar nele na segunda".

"Eu gostava muito de ir à segunda volta, mas na primeira vou seguramente a votos", garantiu.

Numa declaração com repetidas recomendações à comunicação social para que dê igual espaço a todas as candidaturas a Belém, Garcia Pereira manifestou a vontade de "debater com todos os candidatos todos os programas".

Considerando que o país vive "uma ditadura substancial, disfarçada sob o manto diáfano de uma democracia cada vez mais forma e de opereta", o dirigente do PCTP/MRPP propôs-se defender "os direitos, liberdades e garantias" dos cidadãos.

Garcia Pereira foi candidato a Presidente da República apoiado pelo PCTP/MRPP, um dos partidos maoístas que surgiram em Portugal nos anos 70, nas eleições de 2001, ganhas pelo actual chefe de Estado, Jorge Sampaio, nas quais obteve 1,55 por cento dos votos.

O V Congresso do PCTP/MRPP, realizado em Junho, tinha decidido que o partido iria apoiar "o surgimento de uma candidatura democrática que garanta a defesa dos interesses dos operários e demais trabalhadores, dos jovens, mulheres, dos idosos e dos intelectuais progressistas" às presidenciais de 2006.

IEL.

Lusa/Fim


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