País
"Geração à rasca" sai à rua
A manifestação convocada através das redes sociais estará hoje à tarde nas ruas de onze cidades portuguesas, com destaque para a Avenida da Liberdade, em Lisboa. Cerca de 60 mil cibernautas já se comprometeram a estar presentes. O movimento está a ser seguido pelas autoridades com alguma preocupação e com ocasionais derrapagens, como a exigência do governador civil de Portalegre de que os organizadores se identificassem.
Em carta aberta dirigidas aos cidadãos e às organizações da
sociedade civil, os promotores afirmam que a manifestação resulta "da
insatisfação de um grupo de jovens que sentiram ser preciso fazer algo
de modo a alertar para a deterioração das condições de trabalho e da
educação em Portugal".
Tal como o definem, "este é um protesto apartidário, laico e pacífico, que pretende reforçar a democracia participativa no país, e em consonância com o espírito do Artigo 23 da Carta Universal dos Direitos Humanos".
Por outro lado, no seu manifesto, os organizadores explicam o protesto "porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida". E acrescentam: "Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspetivas".
Os organizadores ressalvam no entanto que não tomam uma posição "contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela". A ressalva não parece ter caído em saco roto, porque ontem mesmo, em reacção às novas medidas do PEC, um dirigente do MURPI (Movimento Unitário de Reformados Pensionistas e Idosos) declarava a intenção de participar na manifestação, considerando que a "geração dos avós" também está "à rasca".
O primeiro-ministro José Sócrates, por seu lado, citado pela agência Lusa, comentou em Bruxelas a convocatória da manifestação com inusual bonomia: "Eu compreendo muito bem as ansiedades e os problemas dos jovens, compreendo muito bem". Sócrates considera compreensível que os precarizados, os chamados "quinhentoseuristas", hoje "se manifestem e que exprimam tantas vezes a sua frustração. Sou o primeiro a reconhecer isso: o acesso dos jovens ao mercado de trabalho não é aquilo que nos desejaríamos. Mas isso faz-se atuando e defendendo o nosso país, e foi isso que nos fizemos aqui esta noite".
Menos bonomia demonstrou o governador Civil de Portalegre, ao enviar uma circular às autarquias daquele distrito pedindo a identificação dos "promotores conhecidos" das manifestações de hoje. Criticado pelo grupo parlamentar do PCP, o governador Jaime Estorninho declarou à Lusa: "Nós não queremos condicionar ninguém. Nós queremos garantir a segurança de todos". E explicou que o pedido do Governo Civil se destina a recolher "informação para garantir o direito de reunião, conforme previsto na lei".
CGTP fala em mobilização para a luta
O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, referiu-se à manifestação de hoje, bem como a uma outra convocada pelos sindicatos de professores, considerando-as contirbuições positivas para a resposta que, do ponto de vista da central, deve ser dada ao novo pacote, ontem anunciado.
Segundo Carvalho da Silva, "estamos perante uma governação desastrosa que se pauta pelas injustiças, em que os únicos que são chamados a contribuir são os mais pobres". Carvalho da Silva afirmou mesmo que "os portugueses estão descaradamente a ser roubados" e lembrou que "o valor da economia clandestina e a fraude e a evasão fiscal representam cerca de 10 milhões de euros".
Finalmente, em relação à Concertação Social, palco das mais recentes propostas visando facilitar e embaratecer os despedimentos, o coordenador da CGTP, citado pela Lusa, classificou-a de "fantochada".
Tal como o definem, "este é um protesto apartidário, laico e pacífico, que pretende reforçar a democracia participativa no país, e em consonância com o espírito do Artigo 23 da Carta Universal dos Direitos Humanos".
Por outro lado, no seu manifesto, os organizadores explicam o protesto "porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida". E acrescentam: "Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspetivas".
Os organizadores ressalvam no entanto que não tomam uma posição "contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela". A ressalva não parece ter caído em saco roto, porque ontem mesmo, em reacção às novas medidas do PEC, um dirigente do MURPI (Movimento Unitário de Reformados Pensionistas e Idosos) declarava a intenção de participar na manifestação, considerando que a "geração dos avós" também está "à rasca".
O primeiro-ministro José Sócrates, por seu lado, citado pela agência Lusa, comentou em Bruxelas a convocatória da manifestação com inusual bonomia: "Eu compreendo muito bem as ansiedades e os problemas dos jovens, compreendo muito bem". Sócrates considera compreensível que os precarizados, os chamados "quinhentoseuristas", hoje "se manifestem e que exprimam tantas vezes a sua frustração. Sou o primeiro a reconhecer isso: o acesso dos jovens ao mercado de trabalho não é aquilo que nos desejaríamos. Mas isso faz-se atuando e defendendo o nosso país, e foi isso que nos fizemos aqui esta noite".
Menos bonomia demonstrou o governador Civil de Portalegre, ao enviar uma circular às autarquias daquele distrito pedindo a identificação dos "promotores conhecidos" das manifestações de hoje. Criticado pelo grupo parlamentar do PCP, o governador Jaime Estorninho declarou à Lusa: "Nós não queremos condicionar ninguém. Nós queremos garantir a segurança de todos". E explicou que o pedido do Governo Civil se destina a recolher "informação para garantir o direito de reunião, conforme previsto na lei".
CGTP fala em mobilização para a luta
O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, referiu-se à manifestação de hoje, bem como a uma outra convocada pelos sindicatos de professores, considerando-as contirbuições positivas para a resposta que, do ponto de vista da central, deve ser dada ao novo pacote, ontem anunciado.
Segundo Carvalho da Silva, "estamos perante uma governação desastrosa que se pauta pelas injustiças, em que os únicos que são chamados a contribuir são os mais pobres". Carvalho da Silva afirmou mesmo que "os portugueses estão descaradamente a ser roubados" e lembrou que "o valor da economia clandestina e a fraude e a evasão fiscal representam cerca de 10 milhões de euros".
Finalmente, em relação à Concertação Social, palco das mais recentes propostas visando facilitar e embaratecer os despedimentos, o coordenador da CGTP, citado pela Lusa, classificou-a de "fantochada".